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segunda-feira, maio 11, 2009

O SÓCIO, de John Grisham

Em O SÓCIO, John Grisham mostra ao leitor, em poucos passos, como funcionam as engrenagens no mundo dos ladrões de colarinho-branco. Como roubar e ser bem-sucedido tendo como ferramentas apenas um pouco de coragem e muita astúcia.

Danilo Silva foi vigiado dia e noite durante meses antes de ser seqüestrado. Morava sozinho, levava uma vida pacata, de hábitos simples, em uma modesta casa na cidade de Ponta Porã, no Brasil. Cidadão acima de qualquer suspeita, ainda assim o seqüestraram e o arrastaram para um cativeiro no Paraguai, torturando-o quase até a morte.

Mas Danilo tinha um passado de várias identidades. Danilo Silva na verdade era Patrick Lanigan, um brilhante advogado americano que dera um golpe de mestre em sua ex-firma de advocacia, desviando 90 milhões de dólares de um cliente para o seu próprio bolso. Como o conseguira?

Perseguido pelo FBI e pelo cliente, rivais numa caçada que alia agentes americanos e brasileiros, Patrick acaba sendo encontrado, e é aí que têm início os seus problemas ou seriam os dos seus captores? É o que John Grisham nos dirá, mais uma vez no seu estilo direto e sem floreios.

Livro: O SÓCIO
Autor: JOHN GRISHAM
Editora: Rocco
1ª Edição (1997)
Páginas: 416
ISBN: 9788532507693


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre O SÓCIO:

Gisele Letras: Grande momento do mestre dos thrillers de tribunal, John Grisham. Para nós, brasileiros, o livro tem um tempero a mais, pois parte da trama se passa aqui e Grisham descreve o Brasil com conhecimento de causa e bastante familiaridade, já que ele costuma (ou costumava) visitar o país com freqüência. Só impliquei um pouco com o nome da protagonista brasileira: Eva Miranda. Não que ele seja absurdo ou artificial, mas é que me pareceu um contraste com toda a descrição fiel que ele fez do Brasil. A impressão é a de que o escritor teve preguiça de pesquisar um nome feminino mais elaborado. Para mim, ele se inspirou em Carmen Miranda, conhecidíssima nos Estados Unidos, para criar o sobrenome e escolheu o primeiro nome, Eva, por ser bíblico, e poder, a priori, ser usado em qualquer país ocidental.

Léo Bloom: Autor de thrillers melhores, John Grisham não decepciona em O sócio, mas também não empolga muito. É um livro que se lê numa boa, inclusive quando ele descreve com detalhes o interiorzão do Brasil, como a cidade de Ponta Porã. É claro que ele esteve por lá. O começo, apesar de violento, com a tortura a Patrick Lanigan, prende a atenção, não chega a ser repugnante e o final é surpreendente. Mas ainda prefiro A firma e A confraria.

H. Ester: O sócio é o tipo de livro em que a gente esquece um pouco a ética nossa de cada dia e chega a achar bacana e interessante um plano de fuga absolutamente abominável, em que o protagonista Patrick Lanigan dá um golpe, simula a própria morte, larga a família e se refugia numa cidade pequena, distante e escondida no mapa. Mas com o avançar das páginas, as motivações de Lanigan vão ficando mais claras e a trama, no começo aparentemente simples, se torna complexa e eletrizante, além de emocionante. Muitos autores de thrillers, principalmente desses thrillers que se aproveitaram do filão de O Código da Vinci, e têm andado em moda, deveriam ler mais os livros de John Grisham, um escritor que domina a técnica de construir uma boa trama de suspense. É um autor que aprecio muito desde que li A firma.

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segunda-feira, março 30, 2009

1º A MORRER, de James Patterson

Em uma narrativa de tirar o fôlego, James Patterson nos apresenta as integrantes do Clube das Mulheres Contra o Crime, às voltas com um serial killer que assassina homens e mulheres que acabaram de se casar.

No Estado da Califórnia, um assassino é movido por bizarra compulsão: esfaquear homens e mulheres que acabaram de casar. Esse serial killer sente prazer em ceifar as vidas de pessoas apaixonadas, sendo capaz de matar com requintes de crueldade e alto grau de frieza.

Inconformadas com a atuação da polícia, que não consegue solucionar o caso, quatro mulheres incríveis vão se unir em torno de um objetivo comum: encontrar, prender e superar o diabólico assassino.

Lindsay é a inspetora de homicídios da delegacia de polícia da cidade. Claire é médica-legista. Jill, assistente da promotoria. Cindy, por sua vez, é a mais nova repórter da seção policial do San Francisco Chronicle. Elas sabem que, se unirem suas forças, coragem e inteligência, têm alguma chance de pôr fim à onda de mortes que assola a cidade, mas não imaginam que a verdade, nesse caso, vai abalar todas as suas convicções.

Livro: 1º A MORRER
Autor: JAMES PATTERSON
Editora: Rocco
1ª Edição (2008)
Páginas: 376
ISBN: 9788532523310


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre 1º A MORRER:

W@L: Esse thriller é sensacional. Parte de um argumento aparentemente banal e já bastante explorado (assassinatos em série, uma investigadora com problemas pessoais, etc, etc. e tal) para presentear os leitores do gênero com uma trama inovadora e com boa pegada. Embora não chegue a ser uma história surpreendente, ela não tem aquele gosto de déja-vu. A partir da terceira parte o livro ganha em velocidade e surpreende a capa página. Nada é previsível e quando o leitor acha que solucionou o mistério, vem uma reviravolta e ele retorna à estaca zero. James Patterson é incansável na sua capacidade de escrever boas histórias.

Agente 1986: O que dizer deste livro? A idéia do clube das mulheres contra o crime, nas mãos de um autor desastrado (tipo um David Gibbins da vida, ou um Peter Harris, ou um Noah Charney) naufragaria muito fácil. Mas James Patterson é craque e craques podem jogar medianamente uma vez ou outra, mas jamais serão pernas de pau. Patterson deu vida a um assassino metódico de recém-casados e a uma inspetora de homicídios, Lindsay Boxer, atormentada por um problema raro e grave de saúde, acrescentou alguns temperos, uns cenários glamourosos, deu uma mexida boa e o resultado foi um livro muito agradável de ler, apesar de alguns lances meio inverossímeis que não chegam a comprometer o conjunto. Não é uma história policial mulherzinha, muito menos uma trama do tipo As panteras, então os leitores homens podem perder a desconfiança e ler 1º a morrer numa boa.

Mrs. "M": Os dois primeiros capítulos de 1º a morrer são impactantes e chocam o leitor logo de cara, para não deixar dúvidas sobre o que vem a seguir. E o que vem a seguir é uma trama muito boa, que prendeu minha atenção. Fazia muito tempo que eu não lia um livro de James Patterson e 1º a morrer foi um ótimo retorno às obras desse grande escritor, que eu adoro. Além do assassino e sua mente perturbada e perturbadora, as personagens Lindsay e Claire são as melhores. Lindsay e seu drama com a tal da anemia de Negli, é uma personagem complexa e carismática, nem boazinha e nem durona demais. Uma figura bem próxima da realidade da mulher urbana contemporânea. A tragédia que ela viveu no final foi de fazer chorar. Cindy e Jill me entediaram um pouco, principalmente Cindy e seu jeito crazy de jornalista "sou jovem-atrevida-posso tudo", mas elas foram bem construídas por Patterson. Já estou curiosa para ler os novos livros da série. Editora Rocco, não demore, please.

Martina Memory: 1º a morrer é um livro que engana uma porção de vezes à medida que é lido. E enganou até a mim, que sou leitora veterana de thrillers. A parte final, quando os crimes são finalmente desvendados é emocionante em todos os sentidos, digna de um mestre. James Patterson soube despistar o leitor muito bem, como poucas vezes vi. Só o epílogo é que achei um pouco forçado. Não precisava aquilo, foi apelativo demais e quase estragou tudo. O bom seria se o livro tivesse acabado na página 368. Também a história do disfarce não convenceu muito. E não é só a aparência. Fico perguntando como "Phillip Campbell" disfarçou a própria voz.

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segunda-feira, março 02, 2009

HORA ZERO, de Joseph Finder

Em HORA ZERO, Joseph Finder expõe a vulnerabilidade da rede de computadores mundial frente a possíveis planos terroristas, e adverte para a fatalidade: o colapso na economia global.

Quando um telefonema é interceptado pelos satélites espiões da Agência Nacional de Segurança no céu da Suiça, a agente especial do FBI Sarah Cahill, mãe de um menino de oito anos, é convocada urgentemente para Nova York para conduzir uma investigação que se transforma imediatamente em perseguição desesperada a um brilhante terrorista mercenário, altamente sofisticado e carismático — o Príncipe das Trevas —, que fugiu da prisão de segurança máxima Pollsmoor, na África do Sul. Sarah inicia uma caçada intensa e absolutamente secreta a um homem excepcionalmente perigoso cuja identidade ela não conhece — muito embora ele a conheça intimamente.

De uma hora para outra, Sarah e o filho mergulham em um apavorante labirinto de intrigas, um jogo de gato e rato que põe em perigo suas vidas, forçando Sarah a correr para descobrir uma conspiração terrorista... antes do momento crítico e decisivo, a hora zero.

Valendo-se de entrevistas com agentes da CIA, FBI e até terroristas, Joseph Finder constrói um enredo com impressionante número de informações técnicas, como estratégias de comunicação via satélite, mecanismos de montagem e detonação de bombas, falsificação de documentos e o uso de sistemas de ponta na identificação de impressões digitais.

Livro: HORA ZERO
Autor: JOSEPH FINDER
Editora: Rocco
1ª Edição (1999)
Páginas: 476
ISBN: 9788532509437


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre HORA ZERO:

Mrs. "M": Nessa época em que deu a louca no mercado financeiro e a economia mundial se encontra de pernas pro ar, falar de um thriller como Hora Zero é bem oportuno. Não é o melhor livro de Joseph Finder, mas é muito bom e prende mesmo a atenção. Mais uma vez o grande personagem é o antagonista, Baumann. A agente Sarah Cahill é interessante, mas é uma figura meio esquemática, como muitas outras heroínas de thrillers. E é ela a responsável pelo grande "mico" do livro: como uma agente experiente do FBI se deixa enganar com tanta facilidade por um homem daquela maneira?

London Hilton: Depos que li Hora Zero me bateu uma dúvida: será que o atual colapso financeiro tem a ver com algum atentado contra a Network? Será que algum especulador espertinho leu o thriller de Joseph Finder e decidiu dar uma de Baumann? O livro corre num ritmo acelerado, mas o leitor não se perde em nenhum momento. A história é bem verossímil e até os lances absurdos se tornam factíveis. Muito comédia a cena em que Sarah Cahill flagra o presidente do Manhattan Bank, Warren Elkind numa sessão sadomasoquista e ele, com a cabeça encapuzada, pergunta a ela: "Sim, Soberana?" Tudo narrado com muita classe, mas não deu pra não rir.

Léo Bloom: Hora Zero é fenomenal. Aliás, não conheço um thriller de Joseph Finder que não seja. O cara tem o dom da agilidade, mas sem deixar escapar nada. Ele distribui as informações necessárias muito bem ao longo da narrativa e o leitor não se perde. A trama tem duas estrelas: Baumann e Malcom Dyson, o vingativo milionário americano preso a uma cadeira de rodas que o contrata. A fuga de Baumann da prisão na África do Sul, logo nas primeiras páginas, é sensacional e já dá a idéia de como será o resto da história. As cenas em que Dyson aparece são marcantes. E ainda tem o homem que Dyson quer destruir, o banqueiro Warren Elkind, fissurado em rituais sadomasoquistas com dominadoras profissionais, um elemento inusitado que torna a história ainda mais humana e crível.

Macabéio: Gosto dos livros de Joseph Finder, mas este, especialmente, não me agradou muito. Toda a ação de Hora Zero é bastante previsível, os protagonistas, a começar por Sarah Cahill, não têm brilho, não encantam o leitor. O lado dos antagonistas também não ajuda muito. Todas as ações de Baumann são inverossímeis, não convencem
. A forma como ele mata as pessoas, torcendo o pescoço delas é meio repugnante e chega uma hora que cansa. As mortes não têm emoção, a investigação não tem emoção. Nem a perseguição final tem muita emoção. Baumann realmente pensava que iria escapar? Faltou densidade à trama e alguns dos personagens do núcleo de Cahill poderiam ser eliminados sem problemas. Além disso a questão principal do livro — a ameaça de colapso da Network —, não tem apelo dramático o bastante para mobilizar os leitores contra as vilanias de Baumann e Malcom Dyson. A hora é zero e a minha nota para o livro também é.

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domingo, outubro 12, 2008

ROSAS PARA LEMBRAR, de Phillip Margolin

Complexo e brilhantemente executado, ROSAS PARA LEMBRAR é um livro que, uma vez começado, seduz o leitor até o fim.

As esposas de proeminentes homens de negócios desaparecem sem deixar vestígios, a não ser uma rosa negra acompanhada de uma simples mensagem: "desaparecida, mas não esquecida". Dez anos antes, em Hunter's Point, Nova York, houve uma série idêntica de desaparecimentos - mas o assassino foi pego, o caso foi encerrado e a força-tarefa especial designada para prender o "assassino das rosas" foi desfeita.

Nancy Gordon, detetive da Delegacia de Homicídios do Departamento de Hunter's Point e membro original da força-tarefa, não consegue dormir uma noite inteira desde que os desaparecimentos começaram, perseguida por pesadelos com um assassino sádico que, ela jura, ainda está à solta. Determinada, procura Alan Page, promotor público de Portland, para lhe contar uma história que ele logo esquecerá.

Betsy Tannenbaum, também moradora de Portland e nacionalmente reconhecida como advogada de defesa feminista, é contratada pelo multimilionário Martin Darius, sem qualquer razão aparente. Do outro lado do país, em Washington D.C., o presidente dos Estados Unidos acaba de escolher o senador Raymond Colby para o cargo de presidente do Supremo Tribunal. Em uma reunião particular, Colby garante ao presidente que não está envolvido com nenhuma espécie de crime.

Livro: ROSAS PARA LEMBRAR
Autor: PHILLIP MARGOLIN
Editora: Rocco
1ª Edição (1995)
Páginas: 340
ISBN: 9788532505040


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre ROSAS PARA LEMBRAR:

W@L: Simplesmente brilhante. Um dos melhores thrillers jurídicos que li em toda a minha vida. Phillip Margolin estava iluminado quando teve a idéia para este Rosas para lembrar. A composição do personagem Martin Darius foi primorosa. A descrição de suas atitudes, sua ambivalência, sua frieza transbordante e magnética, tudo faz dele a grande estrela desse romance, mesmo com toda a sua sede de maldade e seu calculismo.

Macabéio: Um livro mediano e bastante confuso. Foi o que achei de Rosas para lembrar. O núcleo do senador Colby, em Washington era totalmente dispensável. Não faria a menor falta excluí-lo do livro e a trama ainda ganharia em agilidade. Por outro lado, Nancy Gordon podia ter sido mais bem explorada. Ela aparece no livro menos do que se espera. Betsy Tannenbaum está bem construída, mas a arapuca em que ela se mete faz com que o leitor se decepcione com a sua reação tímida aos acontecimentos e ela acaba parecendo menos inteligente e sagaz do que talvez fosse a intenção de Margolin. Nota 6.

Agente 1986: Rosas para lembrar é um thriller diferente, estruturado de forma pouco usual e isso talvez assuste alguns leitores. Há um excesso de núcleos. Durante mais da metade do livro os trechos passados em Washington parecem totalmente fora de sintonia com o restante da trama. As cenas transcorridas no passado acontecem de repente e podem confundir muita gente. Ainda assim, é um livro mais positivo do que negativo. A presença de Martin Darius e as cenas antológicas que ele protagoniza já valem a leitura.

London Hilton: Phillip Margolin provou neste livro ser o mestre que é. Ele enrola o leitor direitinho numa trama aparentemente banal, mas que se revela complexa e onde nada é o que parece. O final é meio forçado, mas eu gostei da reação da vítima que jura vingança ao monstro que aterrorizou Hunter's Point. Foi imprevisível o desenrolar da trama. Também o conflito familiar de Betsy Tannenbaum, a inveja que o ex-marido tem do seu sucesso profissional, a ponto de ter pedido o divórcio, tudo isso contribui para dar ao romance uma atmosfera de realismo, já que reflete o que acontece em muitas famílias.

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segunda-feira, setembro 15, 2008

CONTROLE TOTAL, de David Baldacci

Em CONTROLE TOTAL, nada é óbvio, nada é previsível. David Baldacci criou um livro perfeito para os fãs de um bom romance de suspense.

A jovem advogada Sidney Archer vivia uma vida de sonhos ao lado de seu marido, Jason, alto executivo de uma grande empresa líder mundial em tecnologia, e de sua filha. Até que um acidente aéreo envolvendo Jason lança Sydney num turbulento redemoinho, onde verdades e mentiras se misturam. Uma história cheia de manobras, traições, intrigas e segredos, que traz de volta o escritor David Baldacci, confirmando seu talento em doses crescentes de suspense.

Ao saber do acidente, Sidney descobre que o marido não estava no avião, que tinha em sua lista de passageiros o presidente do Tesouro americano — um dos homens mais importantes dos Estados Unidos. Jason possivelmente estaria vendendo segredos industriais para um competidor. O FBI entra na investigação e tenta descobrir se há ligações entre o espião e a sabotagem aérea. A partir deste momento, Sidney passa a ser vista como suspeita e começam as perseguições. A ação é rápida, cada cena leva a outra mais intrigante.

Livro: CONTROLE TOTAL
Autor: DAVID BALDACCI
Editora: Rocco
1ª Edição (1998)
Páginas: 560
ISBN: 9788532508621


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre CONTROLE TOTAL:

Macabéio: A cena do acidente de avião vista de dentro foi de tirar o fôlego. David Baldacci descreveu com minúcia e na medida certa o pânico dos passageiros e o caos que se instala dentro de uma aeronave durante uma queda. Só um escritor muito talentoso para fazer isso, já que ele não viveu a situação para reproduzi-la na ficção com tanta carga de veracidade. Só por essa cena, Baldacci ganhou meu respeito. Mas fiquei uns bons três anos com um frio no estômago na hora de voar. Sempre que o avião decolava, só pensava nesse livro.

Augusta Tietê: Adoro os primeiros thrillers do David Baldacci, principalmente este Controle total. Baldacci soube armar muito bem uma história envolvendo espionagem empresarial, conflitos familiares e muita tensão, tudo bem encaixado na realidade. Nada no livro soa inverossímil, começando pelo casal de protagonistas, Sidney (é uma mulher, viu, gente?) e Jason. Baldacci faz com que a gente sofra junto com ela quando o marido some e ficamos à mercê da sua sorte durante todo o resto do livro. Ela é a grande heroína.

Eça de Assis: Jason Archer é um homem de moral dúbia, mas isso não lhe tira o brilho como um dos protagonistas de Controle total. Até acredito que lhe dê um aspecto ainda mais humano. Ele é imperfeito como qualquer um de nós. Mas o personagem que me agradou mesmo foi o agente Sawyer, com sua ética, seus conflitos internos e sua firmeza. O bom neste livro é que nenhum personagem é totalmente esquemático e isso ajuda muito no bom andamento da trama.

Paty Faria: Um thriller de primeiríssima. O autor mostra com uma intimidade incrível como funciona o mundo das empresas de alta tecnologia e do agressivo mundo corporativo que as cerca. O livro foi escrito no fim dos anos 90 e a tecnologia mudou demais de lá para cá, mas ainda hoje um leigo que não trabalhe no CERN ou no Vale do Silício vai se impressionar com os detalhes de informática narrados por David Baldacci. Mas a melhor cena do livro é a fuga simples, porém espetacular de Jason Archer logo no começo, no aeroporto de Washington. E a narração do desatre aéreo é também de arrepiar, embora não seja lá muito agradável de ler, ainda mais para quem viaja muito de avião em tempos de caos aéreo.

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segunda-feira, agosto 18, 2008

A IDENTIDADE BOURNE, de Robert Ludlum

Neste que é, talvez, o seu mais profundo e bem resolvido romance, Robert Ludlum criou um homem em conflito com forças para além da sua compreensão.

Quem lê as primeiras páginas de A IDENTIDADE BOURNE não tem como resistir à trama costurada por Robert Ludlum, o mestre dos romances de espionagem. O autor prende o leitor desde as primeiras linhas pela tensão máxima, em seqüências de ação cheias de perigo e velocidade. Depois de ser encontrado quase sem vida na costa francesa, um homem com amnésia busca descobrir quem ele é. Ele não se lembra nem mesmo de seu nome, mas, com a ajuda de um médico bêbado e solitário, começa a desvendar o mistério de seu passado.

As pistas vão surgindo em conta-gotas, mas cada uma delas, em vez de apontar numa direção, abre novos e amplos leques de possibilidades. Seria Bourne um frio assassino internacional, rival de Carlos, o Chacal, e correndo risco de morte?

Como um grande quebra-cabeça, o homem sem nome luta para descobrir sua identidade. Para seu próprio espanto, ele descobre que é um mestre nas artes marciais, fala diferentes línguas e é capaz de roubar e de matar se for preciso. Para encontrar a verdade, viaja por Marselha, Zurique, Washington e Paris, sempre cercado de crimes misteriosos e brutais.

Livro: A IDENTIDADE BOURNE
Autor: ROBERT LUDLUM
Editora: Rocco
1ª Edição (2000)
Páginas: 510
ISBN: 9788532511072


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre A IDENTIDADE BOURNE:

H. Ester: O livro é fantástico. Dá pra sentir a agonia do personagem sem memória, fugindo de inimigos que ele não sabe quais são. O ruim foi assistir Matt Damon fazendo o papel do Bourne no filme. Nada a ver...

Martina Memory: Tenso e eletrizante. Um verdadeiro thriller. Robert Ludlum num dos seus momentos de melhor forma.

Beta Langdon: Gostei muito, de verdade. Mas a narrativa poderia ser um pouco mais enxuta e menos confusa. Tem horas que a gente se perde. E a velocidade do livro não dá muita brecha para a gente voltar umas páginas e ler de novo porque o que se quer é ir para frente sempre.

Eça de Assis: As cenas em Paris, para mim, foram as melhores. Achei genial o lance da boutique no Faubourg Saint-Honoré. Quem poderia suspeitar?

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Nota de Flavia Andrade: A IDENTIDADE BOURNE foi lançado duas vezes no cinema. Na primeira, em 1988, Jason Bourne foi vivido por Richard Chamberlain, e na segunda, em 2002, por Matt Damon. Os DVDs de ambos os filmes estão disponíveis na Livraria Saraiva, e podem ser encontrados respectivamente AQUI e AQUI

segunda-feira, agosto 04, 2008

O MARTELO DO ÉDEN, de Ken Follett

Em O MARTELO DO ÉDEN, a agonia de uma secreta comunidade hippie ameaçada por uma hidrelétrica serve de pano de fundo para uma trama eletrizante de suspense, paixões, conflitos e interesses.
Numa comunidade perdida num vale da Califórnia, as palavras liberdade, paz e amor — os ideais do movimento hippie — continuam sendo muito mais que um slogan; são uma forma de sobrevivência. O recanto é paradisíaco e viver ali significa desprezar o capitalismo e todas as normas sociais que não priorizam o homem. Mas a construção de uma hidrelétrica é a ameaça que pode pôr fim ao sonho. Para o líder da comunidade, Ricky Priest, a solução é drástica e nada pacífica: sob o codinome de Martelo do Éden, ele e seus seguidores ameaçam o governo da Califórnia com um terremoto. Mas pode um terremoto ser criado pelo homem? Para Priest, que conta com a ajuda de uma estudante de sismologia, isto é perfeitamente possível. Desde que se consiga roubar um vibrador sísmico. E isso ele consegue.

A questão é ver quem é mais esperto. Se a competente agente do FBI Judy Maddox, encarregada de encontrar o grupo, ou o carismático Priest. A caçada que se segue contrapõe a inteligência dos dois antagonistas. De um lado, o arguto Priest procurando defender, custe o que custar, seu refúgio ecológico. Do outro, Maddox tentando garantir uma sonhada promoção entre as disputas internas da agência. Ken Follett narra, passo a passo, essa caçada. Nos faz seguir as pegadas de Priest, conhecer o estilo de vida que seu grupo quer preservar e acompanhar a perseguição do FBI numa narrativa cinematográfica.

Livro: O MARTELO DO ÉDEN
Autor: KEN FOLLETT
Editora: Rocco
1ª Edição (1999)
Páginas: 480
ISBN: 9788532510266
Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre O MARTELO DO ÉDEN:

Léo Bloom: Muito legal O Martelo do Éden. É daqueles thrillers que dá vontade de ler de novo. Ken Follett tem um talento incrível para dar um toque de humanidade aos seus antagonistas. O Priest parece mesmo uma pessoa de carne e osso, alternando momentos sublimes com outros, hediondos. A gente chega a se solidarizar com ele e temer pela comunidade.

Augusta Tietê: O livro é ótimo, mas o final decepciona um pouco. Fica a sensação de que o Ken Follett já estava escrevendo o livro há meses e doido para acabar logo e começar outro. O romance entre a agente Maddox e Michael Quercus podia ter sido melhor explorado.

W@L: Se é verdade o que o livro diz, que um terremoto pode ser provocado pelo homem, fiquei com medo de viajar para a Califórnia, ainda mais depois dos ataques de 11 de setembro. Vai que um Bin Laden da vida lê O Martelo do Éden e manda que seus terroristas roubem um vibrador sísmico e o leve para uma das falhas nas placas tectônicas que têm aos montes lá praqueles lados.

Paty Faria: Eu amei esse thriller. O Martelo do Éden é fantástico, prende a atenção e mostra a vida numa decadente comunidade hippie que parou no tempo. Os personagens são muito verossímeis, começando por Judy Maddox e Priest e incluindo, também, Star, Michael Quercus, o Bo Maddox (adorei o apelido "Bo") e até o Marvin Hayes. Tudo muito humano e verdadeiro. O problema foi o final, hollywoodiano demais pro meu gosto e mal desenvolvido. Mas o resto do livro compensa.

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segunda-feira, julho 21, 2008

O PROTETOR, de David Morrell

O PROTETOR é um romance de ação e suspense repleto de cenas de invasão e escapadas sensacionais, onde tecnologia de ponta e armamento pesado são utilizados para desmascarar uma trama cheia de intrigas e reviravoltas.

Uma organização de segurança altamente especializada tem quase todos os seus integrantes assassinados quando tentam proteger um cientista de traficantes de drogas. Cavanaugh, o único agente a sobreviver inicia outra investigação ao descobrir que a morte de seus companheiros é mantida em segredo pelo governo e que outras pessoas correm perigo ao entrarem em contato com o homem que ele deveria proteger. Narrado em ritmo vertiginoso, O PROTETOR, de David Morrell, descreve cinematograficamente as ações de seu protagonista, usando o leitor como companheiro na caçada que ele empreende contra o falso cientista.

A trama bem estruturada e o conhecimento de armamentos e estratégias militares não são os maiores atrativos deste thriller, que traz também personagens densos, de comportamento previsível e realista. O protagonista durão sente medo, se entristece com a morte dos amigos e reconhece, com um misto de admiração e revolta, a inteligência privilegiada do cientista, que trapaceia e mata sem qualquer drama de consciência. Ao lado do protagonista, o leitor vai descobrindo a verdade, enquanto a ação transcorre em diversos ambientes minuciosamente descritos. O cuidado com os pormenores, no entanto, não prejudica o desenvolvimento das situações, que instigam a leitura rápida e ágil das quase 400 páginas do romance.

Livro: O PROTETOR
Autor: DAVID MORRELL
Editora: Rocco
1ª Edição (2005)
Páginas: 412
ISBN: 9788532519054


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre O PROTETOR:

Martina Memory: Grande momento de David Morrell. Um dos melhores livros que li dele. Tem ação vertiginosa, que segura o leitor e não larga.

London Hilton: No início, não entendi direito o porquê das primeiras páginas, que narravam seqüências que não parecima ter nada a ver com a história. Mas chega uma hora, mais ou menos no meio do livro, quando a razão do plano de Prescott é revelada, que percebemos que sem essa primeira historinha, a trama não faria o mesmo sentido.

Eça de Assis: Sem enfeites e com a mão ágil, Morrell faz com que a gente se sinta como num ônibus acelerado e sem freio. É uma ação atrás da outra sem pausa para respirar. O final é meio decepcionante mas o conjunto do livro é muito bom.

Beta Langdon: Fiquei morrendo de pena do Duncan e da forma como ele morreu. Simpatizava com o personagem. Cavanaugh tem uma esperteza afiada, mas que soa meio artificial. E achei algumas partes forçadas. A quantidade de tiros, tombos e socos que Cavanaugh leva, se acontecesse na vida real, deixaria qualquer um quebrado ou até morto. A forma como ele, Jamie e Grace deduzem onde Prescott se escondeu, numa cidadezinha do outro lado dos Estados Unidos, com base apenas nos filmes que ele tinha na estante do primeiro esconderijo não convence de jeito nenhum. O livro começa bem, mas vai perdendo força a partir da segunda metade até terminar num final caidinho, caidinho. Pena...

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segunda-feira, junho 30, 2008

DUPLA OBSESSÃO, de Joy Fielding

Joy Fielding mostra o que pode acontecer a uma mulher comum e suas reações diante de circunstâncias inesperadas.

Bonnie Wheeler tem uma vida invejável. Mora em uma confortável casa no subúrbio de Boston, com seu jovem e charmoso marido, Rod, e a filha Amanda, uma linda criança de 3 anos.

A tranqüilidade de sua vida é brutalmente ameaçada quando Joan, a primeira esposa de Rod, é assassinada e horas antes do crime liga para Bonnie e avisa que ela e Amanda correm sério perigo.

Considerada a principal suspeita do crime após ter descoberto o corpo em uma casa vazia, Bonnie Wheeler começa uma caçada obsessiva
.

De onde, no entanto, estaria vindo o perigo se todos ao redor pareciam igualmente sinistros? Os rebeldes filhos da falecida, Sam e Lauren; Maré, um perverso adolescente amigo de Sam; Josh Freeman, o amável professor de Sam que aparece no momento em que Bonnie se sente mais ameaçada; Nick, irmão de Bonnie, recém-saído da prisão, acusado de conspiração para assassinato; Marla Brenzelle, a sedutora chefe de Rod, e o próprio Rod, principal beneficiário do seguro da vítima.

DUPLA OBSESSÃO se enquadra em uma nova categoria de gênero literário chamada "terror doméstico", apesar de a autora preferir o termo "suspense contemporâneo" para melhor definir o seu trabalho. A riqueza dos elementos dramáticos desenvolvidos por Joy Fielding é a chave do sucesso de todos os seus livros.

Livro: DUPLA OBSESSÃO
Autora: JOY FIELDING
Editora: Rocco
1ª Edição (1998)
Páginas: 372
ISBN: 9788532509260

Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre DUPLA OBSESSÃO:

Beta Langdon: A trama é cercada de um clima pesado de mistério e foi muito difícil conseguir desgrudar das páginas. Tem uma hora em que parece que Bonnie está cercada de suspeitos e não pode confiar em mais ninguém.

H. Ester: Dupla Obsessão foi uma leitura muito gratificante. No começo, depois do assassinato de Joan, nada parece fazer sentido. Chega a dar medo. Não aconselho para leitores noturnos.

London Hilton: Uma coisa que chamou minha atenção nesse livro, foi que Joy Fielding costurou, no meio da trama acelerada de suspense, uma crise familiar relativa ao seu passado com os pai, a mãe falecida e o irmão desajustado. Foi emocionante a hora que ela voltou à antiga casa e resolveu abrir o jogo com o pai e esclarecer o passado que a atormentava. E isso nem de longe atrapalhou o ritmo da trama.

Léo Bloom: Tirando o Sam, sua cobra de estimação e o amigo dele, o Maré, que são chatinhos, bobocas e asquerosos, o enredo é impecável. Foi o primeiro livro que li da Joy Fielding e virei seu tiete. O final que ela deu a Dupla Obsessão me surpreendeu à beça.

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