terça-feira, outubro 13, 2009

Fim do recesso e thrillers de 2009


Nosso recesso está chegando ao fim e o Textos & Thrillers já se prepara para o fim do ano, que vamos celebrar falando de alguns lançamentos "quentes" de 2009. Alguns livros já estão nas livrarias e outros estão para sair. Acima as capas de alguns deles. Todos thrillers e dos bons.

Mudamos a nossa metodologia de avaliação e, em breve, os leitores do Ts&Ts - que continuam nos visitando, numa quantidade crescente - poderão contar novamente com o blog para escolher suas leituras. Obrigada pela paciência em nos esperar, pela fidelidade e pela confiança.

Saudações da Flavia Andrade e da comunidade do Ts&Ts

segunda-feira, junho 29, 2009

Recesso de inverno

Todo os anos, nos meses de julho, por causa das férias escolares, acabamos viajando com nossos filhos, netos, cachorros, gatos, periquitos, etc para algum lugar fora da cidade. Uns preferem o litoral, outros, a montanha, e alguns, mais abonados, vão para o exterior, mesmo com gripe suína, risco de deportação, e tudo o mais. Mas este período também vai servir para a gente repensar o modelo do TEXTOS & THRILLERS, que acaba de completar um ano no ar. Dois motivos levaram a isso. O primeiro, é que o grupo de leitura tem se reunido menos do que deveria. O segundo, é que os membros têm escolhido thrillers diferentes para ler e, na hora de debater qual livro vai ser colocado no ar, não há comentadores suficientes para ele (vocês devem ter notado que as últimas postagens vieram com apenas três comentários cada, em vez dos tradicionais quatro).

O que fazer numa situação dessas? É claro que o blog não vai acabar. Mas precisamos bolar outras maneiras de tocá-lo pra frente. Senão não vamos conseguir dar conta de todos os livros que já lemos e que ainda não comentamos aqui.

Por isso, vamos aproveitar esses próximos três meses para preparar o TEXTOS & THRILLERS para a sua nova fase. Esperamos estar de volta até o fim de outubro de 2009.


Até lá, vocês podem se distrair relendo tudo o que já saiu no Ts&Ts. Uma sugestão são as entrevistas deste mês de junho. Vejam:

* IVAN SANT'ANNA, autor de Os mercadores da noite e de Rapina
* LUIS EDUARDO MATTA, autor de 120 horas e de Ira implacável - Indícios de uma conspiração
* JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS, autor de O Códex 632 e de A fórmula de Deus
* PEDRO DRUMMOND
, autor de Lemniscata - O enigma do Rio


Outra sugestão são as crônicas sobre personagens memoráveis de thrillers, publicadas no final de 2008, e que foram, até agora, as postagens campeãs de audiência do blog:

* ROBERT LANGDON, do thriller ANJOS E DEMÔNIOS, de Dan Brown
* VITO CORLEONE, do thriller O PODEROSO CHEFÃO, de Mario Puzo
* MARIE-CÉCILE DE l´ORADORE, do thriller LABIRINTO, de Kate Mosse
* EVELYN WAKIM, do thriller 120 HORAS, de Luis Eduardo Matta
* ALEC LEAMAS, do thriller O ESPIÃO QUE SAIU DO FRIO
, de John Le Carré


Saudações da Flavia Andrade e de toda a comunidade do Ts&Ts

segunda-feira, junho 22, 2009

Textos & Thrillers entrevista PEDRO DRUMMOND

Flavia Andrade

Além de escritor, Pedro Drummond é engenheiro eletrônico especializado em sistemas de segurança, tem experiência em pilotagem e mergulho e foi bicampeão brasileiro de pára-quedismo. A união de todas essas atividades deu origem ao enredo do seu thriller de estréia, LEMNISCATA – O ENIGMA DO RIO, lançado no final de 2007 pelo selo Suma de Letras, da Editora Objetiva.

As dificuldades na busca de uma editora para o seu primeiro livro — drama comum de nove entre dez autores iniciantes — estimularam Drummond a criar o portal Mesa do Editor, onde obras inéditas ficam disponíveis online para a análise de editoras interessadas. O portal conta, hoje, com um cadastro de cerca de dez mil autores e mil e quinhentas editoras, entre pequenas, médias e grandes, e, até o momento, já foi responsável pela publicação de mais de 250 obras. (
Entrevista concedida por e-mail, de São Paulo)

Textos & Thrillers – Por que a opção por escrever thrillers?

Pedro Drummond – Eu tinha uma história para contar, e achei que ela seria mais interessante se contada no estilo de um thriller. Comecei a escrever usando o suspense de forma franca, as trocas de cenas, a ação verossímil, tudo com muita pesquisa e recheado de informações interessantes. Gostei do resultado.

Ts&Ts – Como se deu o começo da sua carreira literária?

PD – Como a de muita gente. Redações nas escolas, algum reconhecimento aqui e ali, e a certeza de que um dia escreveria um livro. Comecei a escrever de forma bem despretensiosa, e só contei aos amigos quando tive a certeza de que o terminaria.

Ts&Ts – O thriller não possui tradição na literatura em língua portuguesa e só recentemente escritores brasileiros e portugueses passaram a se dedicar ao gênero. Na sua opinião, o thriller tem chances de se firmar concretamente dentro da literatura em português ou está condenado a ser eternamente visto como uma imitação da literatura anglo-saxã, onde ele é mais forte? Que elementos diferenciariam um thriller americano de um thriller brasileiro, por exemplo?

PD – É um erro rotular o thriller como cópia da literatura produzida neste ou naquele país. Thriller é um gênero, como romance ou terror. Rotular o nosso thriller como "imitação" é o mesmo que dizer que o romance brasileiro é copiado de alguém. Bobagem. Acho, na verdade, que o grande problema do Brasil tem sido a imitação de si mesmo. Veja o cinema, por exemplo, com sua predileção histórica por favelas e caatinga. Nada contra estes temas, mas tudo contra a insistência e a falta de variação. É como se nossos produtores temessem se aventurar em temas onde podem ser mais diretamente comparados à produção mundial. Há, claro, exceções louváveis. O que impede o Brasil de fazer um filme como O Sexto Sentido, por exemplo? Um enredo interessante, surpreendente, sem qualquer exigência de altos orçamentos ou efeitos especiais complicados. O mérito está, essencialmente, no enredo. Então, voltando aos elementos que diferenciam um thriller americano de um brasileiro, digo que não há e nem deve haver esta diferenciação. Devem existir bons enredos, comparados de igual para igual.

Ts&Ts – Qual a sua opinião em relação à idéia de que o thriller seria uma literatura “menor”?

PD – Menor em que sentido? Não é menor em vendas, não é menor em interesse dos leitores, não é menor na capacidade de difundir cultura, não é menor em nada. Aos que defendem apenas a literatura clássica, respondo que menor é a mente mais fechada.

Ts&Ts – Está trabalhando em algum livro novo neste momento? Tem algum lançamento em vista?

PD – Sim, estou; mas ainda não tem título ou data para terminar. Como o Lemniscata, é uma obra interessante e cheia de surpresas. Uma produção que exige trabalho e dedicação, para que a leitura seja fluente e prazerosa.


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Leiam, também, as entrevistas que o Textos & Thrillers fez com os escritores IVAN SANT'ANNA, LUIS EDUARDO MATTA e JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS

segunda-feira, junho 15, 2009

Textos & Thrillers entrevista JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS

Flavia Andrade


Nascido em Moçambique, então colônia de Portugal, em 1964, o português José Rodrigues dos Santos é, além de escritor, professor da Universidade Nova de Lisboa e jornalista, profissão onde é mais conhecido. Trabalhou na BBC, em Londres, colaborou com a CNN, e está, atualmente, na RTP — Rádio e Televisão de Portugal. Cobriu diversos conflitos ao redor do mundo, incluido Timor-Leste, Angola, Bósnia e Iraque e recebeu prêmios importantes na área, como o Contributor Achievement Award, em 2000, pelo conjunto do seu trabalho.

Autor de uma dezena de livros, José Rodrigues dos Santos publicou algumas obras ensaísticas antes de estrear na ficção, em 2002, com o romance A ILHA DAS TREVAS, que relata o drama de uma família timorense no período entre o início da ocupação indonésia no Timor-Leste e a independência do país. Mas seu primeiro thriller, O CÓDEX 632, foi lançado apenas em 2005, atingindo imediato sucesso e notabilizando o seu protagonista, o professor de História Tomás Noronha, como uma espécie de Robert Langdon português. Tomás Noronha protagoniza outros thrillers de Rodrigues dos Santos, como O SÉTIMO SELO e A FÓRMULA DE DEUS, todos publicados, no Brasil, pela Editora Record. (Entrevista concedida por e-mail, de Lisboa)


Textos & Thrillers – Por que a opção por escrever thrillers?

José Rodrigues dos Santos – Gosto da acção e da tensão inerente à escrita e à leitura dos thrillers. No entanto, procuro que os meus thrillers sejam um pouco diferentes dos habituais. Os thrillers são, em geral, puro entretenimento. Mas eu tento que os meus thrillers, para além da parte da tensão, tenham uma parte de conhecimento que seja muito forte. Por exemplo, em O Sétimo Selo procuro, através de uma história de acção, mostrar o que se passa com as alterações climáticas e revelar o problema do fim do petróleo, algo que está a acontecer e que não é noticiado.

Ts&Ts – Como se deu o começo da sua carreira literária?

JRS – Foi por acidente. Um amigo escritor, a quem eu devia um favor, pediu-me para lhe escrever um conto para a sua revista literária. Sem ter como recusar, lá comecei a redigir o conto. O problema é que me entusiasmei e, quando dei por ela, o conto já tinha 200 páginas! Foi o meu primeiro romance. O bichinho da escrita ficou e, às tantas, já estava a escrever um segundo romance.

Ts&Ts – O thriller não possui tradição na literatura em língua portuguesa e só recentemente escritores brasileiros e portugueses passaram a se dedicar ao gênero. Na sua opinião, o thriller tem chances de se firmar concretamente dentro da literatura em português ou está condenado a ser eternamente visto como uma imitação da literatura anglo-saxã, onde ele é mais forte?

JRS – Acho que o thriller se pode afirmar perfeitamente como género lusófono se os escritores de língua portuguesa entenderem bem o seu público e souberem contornar os obstáculos culturais que naturalmente se levantam.

Ts&Ts – Que elementos diferenciariam um thriller americano de um thriller português, por exemplo?

JRS – Não sei se se pode falar no thriller português ou brasileiro como sub-género. No meu caso procuro que a diferença entre os meus thrillers e os outros esteja no valor acrescentado do conhecimento. Já lhe falei em O Sétimo Selo, mas posso-lhe dar o exemplo de um outro romance meu, A Fórmula de Deus. Através de uma história de espionagem que envolve a CIA e o VEVAK, os serviços secretos iranianos, este thriller fala sobre ciência e religião e questiona coisas fundamentais como a possibilidade de provar cientificamente a existência de Deus e explorar a questão do sentido da nossa existência. Os thrillers em geral são passatempo, mas eu procuro que os meus thrillers sejam também ganhatempo - ou seja, esforço-me para que, através de uma história emocionante, os leitores aprendam algo mais sobre si e o mundo que os rodeia.

Ts&Ts – Qual a sua opinião em relação à idéia de que o thriller seria uma literatura “menor”?

JRS – O thriller será género menor se se tornar previsível e não tiver qualidade. Cabe aos seus autores emprestarem-lhe tal qualidade que ele se torne género maior. Mas também é verdade que a maior parte das catalogações tendem a ser preconceituosas e acho que nós não lhes devemos dar demasiada importância.

Ts&Ts – Está trabalhando em algum livro novo neste momento? Tem algum lançamento em vista?

JRS – Tenho, pois. O meu novo thriller vai sair em Outubro em Portugal. No Brasil acabou de sair O Sétimo Selo, lançado pela Record.


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Na próxima segunda-feira, o Textos & Thrillers entrevista
PEDRO DRUMMOND

segunda-feira, junho 08, 2009

Textos & Thrillers entrevista LUIS EDUARDO MATTA

Flavia Andrade


O mais jovem dos nossos entrevistados é também o mais veterano. Luis Eduardo Matta estreou na literatura em 1993, com o thriller CONEXÃO BEIRUTE-TEERAN. Tinha 18 anos na época e, hoje, aos 34, contabiliza seis livros publicados. A partir de 2007, com o lançamento de MORTE NO COLÉGIO, pela consagrada Coleção Vaga-Lume, da Editora Ática, passou a escrever, também, thrillers juvenis.

Durante cinco anos, Matta assinou uma coluna na revista Digestivo Cultural, onde publicou diversos ensaios em que discutiu a formação de leitores no Brasil e chamou a atenção para a escassez de uma literatura de entretenimento brasileira, que ele apelidou de LPB – Literatura Popular Brasileira. Seu thriller 120 HORAS é um dos preferidos dos membros do Textos & Thrillers, e uma das suas personagens, Evelyn Wakim, foi tema
de uma crônica aqui no blog, no final do ano passado, ao lado de personagens célebres de thrillers internacionais como Robert Langdon, Alec Leamas e Don Vito Corleone. (Entrevista concedida por e-mail, do Rio de Janeiro)

Textos & Thrillers – Por que a opção por escrever thrillers?

Luis Eduardo Matta – Desde criança tenho fascínio pela ficção de mistério e de suspense. Foram esses livros que me iniciaram no mundo da literatura. Como leitor, sempre fui bastante eclético, mas não consigo escrever um romance em que o mistério e o suspense não constituam elementos vitais no enredo. Alguns chamariam isso de limitação. Pode até ser verdade, mas eu prefiro chamar de paixão. Tenho paixão por escrever thrillers.

Ts&Ts – Como se deu o começo da sua carreira literária?

LEM – Comecei cedo, aos 17 anos. Eu estava assistindo à reprise de uma entrevista de Jorge Amado e Zélia Gattai no programa do Jô Soares, que tenho gravada até hoje, e a maneira como eles relataram as suas experiências na literatura me contagiou com tal intensidade, que decidi também escrever um livro e, se possível, dedicar minha vida à criação literária. Isso foi em janeiro de 1992. Esse meu primeiro livro, Conexão Beirute-Teeran, que é um thriller, foi publicado no ano seguinte, quando eu estava com 18 anos.

Ts&Ts – O thriller não possui tradição na literatura em língua portuguesa e só recentemente escritores brasileiros e portugueses passaram a se dedicar ao gênero. Na sua opinião, o thriller tem chances de se firmar concretamente dentro da literatura em português ou está condenado a ser eternamente visto como uma imitação da literatura anglo-saxã, onde ele é mais forte?

LEM – Tem muitas chances e isso parece que já está acontecendo. Acredito que não só o mundo lusófono, mas o mundo latino como um todo é capaz de contribuir substancialmente para alargar os horizontes do thriller e lhe dar novas possibilidades dramáticas. O problema é que existe um peso muito grande dessa influência anglo-saxã, que precisa ser diluída e retrabalhada no imaginário dos autores a fim de abrir caminho à criatividade e permitir que se crie um thriller mais desvinculado, com uma fisionomia nova. Não deixa de ser um tipo de experimentação.

Ts&Ts – Que elementos diferenciariam um thriller americano de um thriller brasileiro, por exemplo?

LEM – Essa é uma questão meio complexa. Quando escrevemos um livro, passamos para ele, ainda que não intencionalmente, nossa bagagem cultural, nossa experiência de vida, nossa visão da realidade e da sociedade, nossas paixões... Um autor brasileiro terá, necessariamente, uma formação diferente da de um norte-americano, a começar pelo idioma e pelo modo como cada qual interage com seus conterrâneos e com resto do mundo. Ao mesmo tempo, devemos considerar as diferenças individuais existentes entre os autores. Cada autor tem um itinerário existencial único e isso tende a se refletir no seu trabalho. Por isso não dá para fazer uma comparação genérica. É preciso avaliar livro a livro. Mesmo um escritor com uma longa carreira pode ter uma produção irregular, devido a mudanças de percepção operadas ao longo da vida, que deixarão marcas na sua obra.

Ts&Ts – Qual a sua opinião em relação à idéia de que o thriller seria uma literatura “menor”?

LEM – Eu sou da opinião de que as pessoas têm o direito de manifestar seus pontos de vista livremente. Existe, de fato, essa crença de que, não só o thriller, mas toda a literatura de entretenimento constitui um gênero menor. É uma crença um tanto subjetiva, como tudo relacionado à arte, mas devemos respeitá-la, ainda que não estejamos de acordo. Minha dica aos que escrevem thrillers é: não dêem muita importância a isso, inclusive porque é uma luta perdida. Escrevam pensando no seu trabalho e, quando muito, nos seus leitores. Evitem antever eventuais críticas negativas, porque isso asfixia o processo criativo e ainda pode levar a uma paranóia. Todo escritor recebe críticas e não conheço nenhum que seja unanimidade, mesmo entre os canônicos. Faz parte do jogo. Portanto, o melhor a fazer é deixar que falem o que quiserem. E agir como Nelson Rodrigues, que dizia: “se os fatos estão contra mim, pior para os fatos”.

Ts&Ts – Está trabalhando em algum livro novo neste momento? Tem algum lançamento em vista?

LEM – Estou trabalhando em dois livros simultaneamente. Além disso, tenho um thriller inédito pronto, chamado O véu, mas confesso que não estou com muita pressa em publicá-lo. Desde 2007 venho me dedicando mais à literatura juvenil, por se tratar de um ramo novo e fascinante na minha carreira e que tem demandado muito a minha atenção. Neste momento, por exemplo, estou lançando, pela Ática, meu terceiro thriller para o público jovem, O rubi do Planalto Central. Por conta disso, deixei temporariamente as narrativas adultas meio que em banho-maria. Quando eu sentir que minha literatura juvenil está mais consolidada, voltarei aos adultos e buscarei conciliar essas duas vertentes. Talvez aconteça ainda este ano, talvez no ano que vem. Vamos ver.

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Na próxima segunda-feira, o Textos & Thrillers entrevista
JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS

segunda-feira, junho 01, 2009

Textos & Thrillers entrevista IVAN SANT'ANNA

Flavia Andrade

Ivan Sant'Anna estreou na literatura em 1995 com RAPINA, thriller que tem como cenário o mercado financeiro, que o escritor conheceu de dentro, como operador, e do qual se desligou na década de 90, aos 54 anos, para se dedicar exclusivamente à literatura. Fez bem. Autor versátil e de estilo direto, bem na linha dos escritores americanos, Ivan publicou livros sobre diferentes assuntos, incluindo um sobre os atentados de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos, e outro sobre o assassinato do brasileiro Jean Charles de Menezes, no metrô de Londres, sem esquecer, é claro, os thrillers.

E é exatamente num thriller que Ivan Sant'Anna está trabalhando neste momento. Uma história passada na fronteira do Afeganistão com o Paquistão, que o escritor conheceu pessoalmente numa visita de dois meses feita no ano passado. Foi lá, na parte antiga da cidade paquistanesa de Lahore, que ele posou para a foto que ilustra essa entrevista. O livro deverá ser lançado até o final de 2009. (
Entrevista concedida por e-mail, do Rio de Janeiro)

Textos & Thrillers – Por que a opção por escrever thrillers?

Ivan Sant’Anna – Na verdade, eu não fiz essa opção de saída. Os mercadores da noite, primeiro livro que escrevi, e segundo que publiquei, foi se tornando thriller ao longo da narrativa. O mesmo aconteceu com Rapina, segundo escrito e primeiro publicado. Escrevi com a intenção de denunciar as falcatruas do mercado financeiro e virou thriller. Deve ser algum mal congênito meu.

Ts&Ts – Como se deu o começo da sua carreira literária?

IS – Até 1993, eu não escrevia nem carta. Mas um dia sentei numa cadeira da varanda de meu apartamento e comecei a rabiscar Os mercadores da noite. Nos dois anos que se seguiram, me apaixonei pela história. Por fim, na tarde do dia 30 de abril de 1995, me levantei na sala de operações do banco onde trabalhava e disse: "Nunca mais volto aqui!". E não voltei mesmo. Eu tinha 54 anos de idade.

Ts&Ts – O thriller não possui tradição na literatura em língua portuguesa e só recentemente escritores brasileiros e portugueses passaram a se dedicar ao gênero. Na sua opinião, o thriller tem chances de se firmar concretamente dentro da literatura em português ou está condenado a ser eternamente visto como uma imitação da literatura anglo-saxã, onde ele é mais forte? Que elementos diferenciariam um thriller americano de um thriller brasileiro, por exemplo?

IS – Não gosto de teorizar sobre nada, muito menos sobre literatura. Mas no caso dos meus livros, eles não diferem nada do thrillers americanos. A idéia é a de que o leitor não consiga parar de ler.

Ts&Ts – Qual a sua opinião em relação à idéia de que o thriller seria uma literatura “menor”?

IS – É uma literatura de entertainment. Para a pessoa curtir ao final de um dia cansativo de trabalho, em um fim de semana chuvoso ou na sala de embarque de um aeroporto. Se isso significa "menor", que seja.

Ts&Ts – Está trabalhando em algum livro novo neste momento? Tem algum lançamento em vista?

IS – Com certeza. Estou escrevendo uma história ambientada na fronteira do Paquistão com o Afeganistão. No final do ano passado viajei para lá e fiquei dois meses. É uma espécie de thriller romântico, a história de Stella Ackerley, uma correspondente de guerra britânica que saiu da minha cabeça e pela qual me apaixonei. O texto final será entregue à editora no dia 25 de julho e deverá estar nas livrarias em outubro ou novembro.


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Na próxima segunda-feira, o Textos & Thrillers entrevista
LUIS EDUARDO MATTA

segunda-feira, maio 25, 2009

Como se pronuncia "thriller" em português?

Neste mês de junho, o TEXTOS & THRILLERS reservou uma novidade super especial para os amantes da literatura de mistério e suspense: uma série de entrevistas com quatro dos principais escritores de thrillers em língua portuguesa: Ivan Sant'Anna, Luis Eduardo Matta, José Rodrigues dos Santos e Pedro Drummond.

As perguntas formuladas foram praticamente as mesmas para os quatro autores, que falaram sobre suas carreiras, sobre a decisão de escrever thrillers e sobre o espaço do thriller numa literatura ― a de língua portuguesa ― onde o gênero não construiu uma tradição e onde, ainda hoje, é tido pela crítica acadêmica como literatura de segunda categoria.

As entrevistas serão publicadas sempre às segundas-feiras na ordem abaixo, obedecendo a um sorteio feito pelos membros do Ts&Ts:

01/06 - IVAN SANT'ANNA, autor de Os mercadores da noite e de Rapina
08/06 - LUIS EDUARDO MATTA, autor de 120 horas e de Ira implacável - Indícios de uma conspiração
15/06 - JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS, autor de O Códex 632 e de A fórmula de Deus
22/06 - PEDRO DRUMMOND, autor de
Lemniscata - O enigma do Rio


No segundo semestre, o blog retomará a divulgação de livros, mas num formato diferente, mais simplificado e enxuto. Quem viver, verá.

Saudações da Flavia Andrade e de todos os Ts&Ts!

segunda-feira, maio 18, 2009

MUSEU, de Véronique Roy

Ciência, filosofia, religião. O tripé que rege uma série de questões e dúvidas da Humanidade, sendo muitas vezes motivo de polêmica, ganhou vida na literatura cinematográfica da roteirista e arquivista francesa Véronique Roy.

No Museu Nacional de História Natural de Paris, eminentes cientistas encontram-se sob forte agitação: um meteorito anterior à criação do nosso sistema solar pode ser a prova da origem extraterrestre da vida na Terra. Ressurgem antigas controvérsias. Seria o homem o produto acidental da evolução ou o fruto de um “desígnio superior”, isto é, a criação de Deus?

Para passar as coisas a limpo, o diretor do Museu recorre a dois especialistas: o paleontólogo e geólogo norte-americano Peter Osmond, ateu convicto e ferrenho opositor da tese criacionista, e o italiano Marcello Magnani, astrofísico enviado pelo Vaticano. A intrépida conservadora do Museu, Léopoldine Devaire, preocupada com o repentino desaparecimento de um baú no interior da instituição, ajudará os dois em seus trabalhos.

Entretanto, logo após sua chegada, Peter Osmond faz uma descoberta macabra: a bióloga Anita Elberg é encontrada num aposento escuro pavorosamente dissecada. A polícia francesa abre as investigações, mas não avança no caso. E, pior: durante sete dias, outros assassinatos não param de se suceder. Osmond, Magnani e Léopoldine decidem se unir para descobrir a verdade e pôr um fim nos atos bárbaros que têm abalado a instituição.

Livro: MUSEU
Autor: VÉRONIQUE ROY
Editora: Bertrand Brasil
1ª Edição (2008)
Páginas: 378
ISBN: 9788528613568


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre MUSEU:

Martina Memory: Confesso que não entendi o porquê deste livro ter sido tão incensado e elogiado, inclusive (como, aliás, virou moda) com comparações absurdas com Dan Brown. A ponto do Le Parisien ter tido o topete de afirmar que Museu contém MAIS brilhantismo do que O Código da Vinci. Para começar o livro não tem um centésimo do ritmo dos thrillers de Dan Brown. Além disso, a história é muito confusa, entupida de debates chatíssimos sobre Ciência, Religião, Darwin, etc, com personagens insípidos e um final ridículo, que encerra uma trama agonizante, presunçosa e sem nexo. Por que Véronique Roy, nesse livro de estréia, não escreveu uma obra de não-ficção falando do Museu Nacional de História Natural de Paris e dos embates entre criacionistas e darwinistas? Para que se meter a escrever um thriller?

W@L: O tema de Museu é muito interessante e atual. Sem contar que é sempre bom ler thrillers escritos por escritores de fora dos Estados Unidos e Inglaterra. Mas ele podia ter sido mais bem desenvolvido. Para começar, há personagens demais e suspense de menos. Os crimes cometidos ao longo da trama não chegam a chocar como o esperado; quando muito, dão uma sensação de que a autora apelou, tentando criar uma atmosfera de terror macabro, sem conseguir. Dos personagens, gostei da dupla Peter Osmond - padre Marcello Magnani e achei engraçado o interrogatório do mal-humorado professor Servan. As descrições do Museu de História Natural de Paris e as várias explicações sobre fatos históricos e científicos são interessantes, dá para sentir que a escritora realmente sabe do que está falando, mas isso não basta para criar um thriller de verdade. Os personagens precisam de mais alma, o suspense precisa ser mais elaborado e o final, menos previsível (descobri quem era o assassino na metade do livro).

Beta Langdon: A leitura de Museu não engana: a gente logo vê que é a obra de estréia de uma autora sem intimidade com thrillers. O livro é arrastado, em nenhum momento pinta um clima de suspense (há algumas tentativas, todas fracassadas) e a gente até perde o interesse de descobrir a identidade do assassino, o que é uma coisa imperdoável num romance de mistério. A "conspiração" que Véronique Roy monta envolvendo cientistas e criacionistas fanáticos não é forte o suficiente para sustentar o livro. Diversos fios da trama ficam soltos, como o caso do meteorito e os personagens em excesso atrapalham demais o núcleo de protagonistas, formado por Peter Osmond, padre Magnani e Léopoldine Devaire. Osmond tem momentos engraçados, é um personagem simpático que podia ter sido melhor trabalhado. Léopoldine é uma heroína sem tempero e sem carisma. Não chega a existir um duelo de fato entre Religião e Ciência, como a sinopse do livro sugere e o anunciado "horror que não conhece limites" não é nada mais que uma sequencia de crimes apelativos contra personagens apagados ou antipáticos com quem o leitor pouco se importa. De positivo, pode-se dizer que o livro é muito bem escrito (ou traduzido), os cenários são bem apresentados e a trama é inteligente e instrutiva. Mas faltou emoção e um conflito realmente forte que mobilizasse o leitor.

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segunda-feira, maio 11, 2009

O SÓCIO, de John Grisham

Em O SÓCIO, John Grisham mostra ao leitor, em poucos passos, como funcionam as engrenagens no mundo dos ladrões de colarinho-branco. Como roubar e ser bem-sucedido tendo como ferramentas apenas um pouco de coragem e muita astúcia.

Danilo Silva foi vigiado dia e noite durante meses antes de ser seqüestrado. Morava sozinho, levava uma vida pacata, de hábitos simples, em uma modesta casa na cidade de Ponta Porã, no Brasil. Cidadão acima de qualquer suspeita, ainda assim o seqüestraram e o arrastaram para um cativeiro no Paraguai, torturando-o quase até a morte.

Mas Danilo tinha um passado de várias identidades. Danilo Silva na verdade era Patrick Lanigan, um brilhante advogado americano que dera um golpe de mestre em sua ex-firma de advocacia, desviando 90 milhões de dólares de um cliente para o seu próprio bolso. Como o conseguira?

Perseguido pelo FBI e pelo cliente, rivais numa caçada que alia agentes americanos e brasileiros, Patrick acaba sendo encontrado, e é aí que têm início os seus problemas ou seriam os dos seus captores? É o que John Grisham nos dirá, mais uma vez no seu estilo direto e sem floreios.

Livro: O SÓCIO
Autor: JOHN GRISHAM
Editora: Rocco
1ª Edição (1997)
Páginas: 416
ISBN: 9788532507693


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre O SÓCIO:

Gisele Letras: Grande momento do mestre dos thrillers de tribunal, John Grisham. Para nós, brasileiros, o livro tem um tempero a mais, pois parte da trama se passa aqui e Grisham descreve o Brasil com conhecimento de causa e bastante familiaridade, já que ele costuma (ou costumava) visitar o país com freqüência. Só impliquei um pouco com o nome da protagonista brasileira: Eva Miranda. Não que ele seja absurdo ou artificial, mas é que me pareceu um contraste com toda a descrição fiel que ele fez do Brasil. A impressão é a de que o escritor teve preguiça de pesquisar um nome feminino mais elaborado. Para mim, ele se inspirou em Carmen Miranda, conhecidíssima nos Estados Unidos, para criar o sobrenome e escolheu o primeiro nome, Eva, por ser bíblico, e poder, a priori, ser usado em qualquer país ocidental.

Léo Bloom: Autor de thrillers melhores, John Grisham não decepciona em O sócio, mas também não empolga muito. É um livro que se lê numa boa, inclusive quando ele descreve com detalhes o interiorzão do Brasil, como a cidade de Ponta Porã. É claro que ele esteve por lá. O começo, apesar de violento, com a tortura a Patrick Lanigan, prende a atenção, não chega a ser repugnante e o final é surpreendente. Mas ainda prefiro A firma e A confraria.

H. Ester: O sócio é o tipo de livro em que a gente esquece um pouco a ética nossa de cada dia e chega a achar bacana e interessante um plano de fuga absolutamente abominável, em que o protagonista Patrick Lanigan dá um golpe, simula a própria morte, larga a família e se refugia numa cidade pequena, distante e escondida no mapa. Mas com o avançar das páginas, as motivações de Lanigan vão ficando mais claras e a trama, no começo aparentemente simples, se torna complexa e eletrizante, além de emocionante. Muitos autores de thrillers, principalmente desses thrillers que se aproveitaram do filão de O Código da Vinci, e têm andado em moda, deveriam ler mais os livros de John Grisham, um escritor que domina a técnica de construir uma boa trama de suspense. É um autor que aprecio muito desde que li A firma.

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segunda-feira, maio 04, 2009

O ÚLTIMO TEMPLÁRIO, de Raymond Khoury

Em seu romance de estréia, Raymond Khoury, consagrado roteirista de cinema e televisão, narra de forma ágil e inquietante uma busca a segredos que poderão abalar os pilares do cristianismo.

Durante o ataque muçulmano, em 1291, à antiga cidade de Acre, no Reino Latino de Jerusalém, a galé Templo do Falcão zarpa, levando um pequeno grupo de cavaleiros, entre eles o jovem templário Martin de Carmaux, seu mestre, Aimard de Villiers, e um misterioso baú a eles confiado pelo grão-mestre da Ordem dos Templários momentos antes de sua morte. O barco desaparece sem deixar rastro.

Sete séculos depois, na cidade de Nova York, quatro homens vestidos de templários e montados a cavalo irrompem na festa de abertura de uma exposição de relíquias do Vaticano no museu Metropolitan, espalhando pânico e roubando os objetos expostos. A arqueóloga Tess Chaykin, uma das convidadas da festa, testemunha quando um dos cavaleiros, que parece liderar o grupo, se atem, como num ritual solene, a um único objeto: um misterioso decodificador medieval.

Após o incidente, o FBI instaura uma investigação sobre o caso liderada pelo especialista em anti-terrorismo Sean Reilly. Juntos, Reilly e Tess se envolvem em uma corrida mortal por três continentes em busca do local de descanso do Templo do Falcão e da perturbadora verdade sobre a sua carga.

Livro: O ÚLTIMO TEMPLÁRIO
Autor: RAYMOND KHOURY
Editora: Ediouro
1ª Edição (2006)
Páginas: 476
ISBN: 9788500018459


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre O ÚLTIMO TEMPLÁRIO:

Bentinha Escobar: O Último Templário é um entre vários livros que pegaram carona no sucesso de O Código da Vinci. Como todos os outros, não conseguiu nem chegar perto do best-seller de Dan Brown. O livro é mal escrito, tem um encaminhamento decepcionante e fracassa ao tentar aprofundar algumas idéias de forma inoportuna, coisa que não cai muito bem num thriller. Acho que o fato de o autor ser roteirista de cinema atrapalhou bastante o desenvolvimento da trama. Pois o livro lembra mais um roteiro do que um texto literário. Não emociona, nem cria suspense. Não recomendo.

London Hilton: Um thriller cinematográfico, eletrizante e cheio de adrenalina a cada página. Não consegui desgrudar de O Último Templário até o final. Ao misturar história com os tempos atuais, o autor criou um livro fascinante e de ritmo acelerado. Os protagonistas, Tess Chaykin e Sean Reilly são bem construídos, carismáticos e cativantes. E as reflexões sobre fé e religião apresentadas pelo autor cabem bem a todos nós hoje em dia. De todos os thrillers religiosos que apareceram depois de O Código da Vinci, este O Último Templário, junto com Labirinto, de Kate Mosse, é um dos melhores.

Augusta Tietê: Esse livro de estréia do roteirista Raymond Khoury começa muito bem. O prólogo narra com emoção a tomada da cidade de Acre, em 1291, pelos muçulmanos e a expulsão dos cruzados e Cavaleiros Templários da Terra Santa. E nos primeiros capítulos se dá o grande momento do livro, com a invasão dos homens a cavalo à exposição no Museu Metropolitan de Nova York (como é que eles conseguiriam isso na vida real, hein?). Depois, o livro vai perdendo força gradualmente até naufragar num final ridículo, que não justifica toda a trama construída atrás. Nas mãos de um autor mais hábil, o livro poderia ficar melhor, pois tem um argumento forte. Mas como é o primeiro trabalho de Raymond Khoury, acho que podemos dar um desconto pra ele.

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segunda-feira, abril 27, 2009

O RITUAL DA SOMBRA, de Eric Giacometti e Jacques Ravenne

Envolvido no misterioso universo da maçonaria francesa, O RITUAL DA SOMBRA conta a história de uma investigação sobre dois assassinatos, comandada pelo comissário Antoine Marcas, mestre maçom, e sua parceira, Jade Zewinski.

Em Roma, uma arquivista é morta segundo um ritual que lembra a morte do fundador da franco-maçonaria. Em Jerusalém, um arqueólogo, com uma pedra enigmática em mãos, é assassinado de modo semelhante.

Sessenta anos após a queda do III Reich, os arquivos dos franco-maçons, roubados pelo alemães, parecem ser o motivo do derramamento de sangue. E quem pode estar por trás desta trama é a sociedade Thulé, adversária ancestral da maçonaria.

Obra de ficção escrita por Eric Giacometti, jornalista - não maçom - e Jacques Ravenne - maçom no Rito Francês -, O RITUAL DA SOMBRA nos leva aos bastidores de uma sociedade considerada secreta e traz um espantoso esclarecimento sobre o III Reich.

Livro: O RITUAL DA SOMBRA
Autores: ERIC GIACOMETTI e JACQUES RAVENNE
Editora: Objetiva/Suma de Letras
1ª Edição (2008)
Páginas: 400
ISBN: 9788560280070


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre O RITUAL DA SOMBRA:

H. Ester: Sempre tive uma implicanciazinha com livros escritos em dupla. O ritual da sombra só serviu para aumentar ainda mais essa implicância. O livro começa superbem, primeiro com as cenas na Alemanha no fim da Segunda Guerra e, depois, com os crimes em Israel e na embaixada francesa em Roma. Mas alguma coisa não funciona direito a partir do meio e a trama vai ficando aguada, sem sal e apelativa. Chego a pensar que Eric Giacometti escreveu um pedaço do livro e Jacques Ravenne o outro. Mas fico sem saber qual deles escreveu o começo bom e qual deles resolveu estragar tudo da metade pro final.

Agente 1986: Os milhares de problemas de O ritual da sombra começam com os próprios protagonistas. Antoine Marcas e Jade Zewinski são bisonhos, para dizer o mínimo. Mas pior que eles são os vilões, os membros da ordem Thulé. Porque, às vezes, os mocinhos são chatos, mas os vilões são interessantes e salvam o livro. E em O ritual da sombra nem isso acontece. As soluções dos conflitos que surgem no enredo são amadoras e bobinhas. Os autores parecem não saber como agir em determinadas situações que eles mesmos construíram e decidem resolvê-las da forma mais simplória, para continuar a narrativa. É o caso, por exemplo, da cena entre a "Afegã" (apelido ridículo) e Marie-Anne no quarto do castelo de Chevreuse. A cena foi tão improvável e inverossímil, que deu vontade de largar o livro ali mesmo.

Beta Langdon: O ritual da sombra é um livro que pode ser dividido em dois. Tem uma ótima primeira parte que vai, mais ou menos, até a perseguição a Béchir, em Paris, o que equivale a um pouco mais da metade do livro. E tem uma horrorosa segunda parte que vai daí até o final. Os personagens também podem ser divididos em duas categorias: os sem-graça - incluindo os protagonistas, Antoine Marcas e a "Afegã" Jade Zewinski - e os asquerosos - incluindo Béchir, Marie-Anne e, principalmente, o "jardineiro". O livro chega a ter algum suspense, mas o que se destaca mesmo são algumas cenas macabras, gratuitamente apelativas, que não ajudam em nada a trama e parece que foram colocadas ali para satisfazer as taras de algum leitor sádico. Mesmo assim o livro tem bons momentos como o de Béchir na loja de cogumelos alucinógenos, em Amsterdã, a da festa na embaixada da França, em Roma e a da perseguição a Béchir na noite de Paris.

Eça de Assis: Fiquei meio decepcionado com esse O ritual da sombra. Um thriller que prometia muito, mas que foi perdendo gás, até um final agonizante. Esperava mais de um livro lançado pela coleção Suma policial, com todo o capricho de um projeto gráfico vistoso e um tema interessante. Valeu mais pelas explicações sobre a Maçonaria e as descrições das cerimônias nas lojas maçônicas, do que pela trama, que tem pouco suspense e poucos atrativos. É incrível que um livro como esse tenha sido publicado no seu país de origem e traduzido para outros idiomas, porque é fraco demais para o que se propõe.

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segunda-feira, abril 20, 2009

O PECADOR, de Tess Gerritsen

Arrepiante e envolvente, O PECADOR apresenta Tess Gerritsen no auge da forma, revelando sua experiência no mundo da investigação criminal.

Nem mesmo as gélidas temperaturas do inverno de Boston poderiam acreditar naquele cenário arrepiante. Sob o teto de uma capela do convento de Nossa Senhora da Luz Divina, os corpos de duas freiras jazem no chão imaculado.

Misteriosamente não há explicações para aquela cena brutal. Eternamente enclausuradas, as freiras do convento não têm contatos externos. Sem muitas pistas, a detetive Jane Rizzoli inicia a investigação, auxiliada pelos exames médicos da dra. Maura Isles. Mas a autópsia revela uma surpresa chocante: a noviça Camille dera à luz antes de ser assassinada. O caso sofre uma incrível reviravolta quando outra mulher é encontrada morta em um prédio abandonado.

A detetive e a médica começam a desvendar a terrível ligação entre as mortes. À medida que segredos há muito esquecidos vêm à tona, a dra. Maura Isles se vê envolvida em uma investigação que se fecha cada vez mais ao seu redor, levando a uma revelação perturbadora sobre a identidade do assassino.

Livro: O PECADOR
Autor: TESS GERRITSEN
Editora: Record
1ª Edição (2006)
Páginas: 366
ISBN: 9788501066947


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre O PECADOR:

Mrs. "M": Sinceramente? Pra mim, Tess Gerritsen se perdeu enquanto escrevia esse livro. Teve uma idéia boa para o começo (o assassinato de duas freiras, sendo uma delas jovem e que estivera grávida, num convento, e uma ligação desse crime com uma tragédia que aconteceu no interior da Índia) e não conseguiu desenvolvê-lo. Um argumento mirabolante demais para um livro só. Sem contar as cansativas descrições das autópsias da Dra. Isles, o monte de termos técnicos absolutamente desnecessários e as duas protagonistas sem carisma nenhum.

Léo Bloom: Tess Gerritsen vem sendo apresentada como uma seguidora de Robin Cook nos thrillers médicos. Seus livros são bons, mas ela perde para Cook no quesito agilidade. Mesmo explorando a terminologia médica com minúcia, Cook sabe encaixar tudo com naturalidade na trama, sem cansar o leitor. Gerritsen, em alguns momentos, parece mais preocupada em explicar nos mínimos detalhes como acontece uma autópsia e o que é necessário para fazê-la do que na trama. Os dramas das duas protagonistas não soaram muito convincentes. Em nenhum momento senti um envolvimento real entre Maura e Victor e entre Jane e Gabriel, embora esse envolvimento estivesse claramente explicitado na narrativa. Vocês entendem? Faltou emoção. Tess Gerritsen é exatamente isso: muita terminologia técnica, pouca emoção e, no caso particular de O pecador, nenhum suspense.

Martina Memory: O pecador é um livro de arrepiar. Fiquei grudada nele, sem conseguir largar. A trama é complexa e muito bem conduzida. A autora, Tess Gerritsen tem um estilo bem próprio de escrever e de despistar o leitor. E os equívocos que acontecem durante o livro, o fato da trama não ser totalmente redondinha, com tudo combinando, deixa tudo ainda mais próximo da realidade.

W@L: Gostei muito da dupla Maura Isles - Jane Rizzoli. Muito interessantes os conflitos pessoais das duas, sendo apresentados ao longo de uma trama de suspense onde elas são as protagonistas. A família de Rizzoli me lembrou um pouco a minha, com suas manias típicas de famílias acomodadas, meio entediadas e, ainda assim, felizes. Faltou, talvez, um pouco de suspense. Não há, em todo o livro, nenhum momento daqueles que deixam a gente vidrada, com os nervos à flor da pele. E, por fim, o assassino e suas motivações me decepcionaram. O final poderia ter sido melhor. Assim como a solução do mistério do filho da noviça Camille também poderia.

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segunda-feira, abril 13, 2009

BEIJE-ME ENQUANTO DURMO, de Linda Howard

Narrando a história proibida de Lily, uma matadora de aluguel, e Lucas, o agente da CIA que tem a missão de pegá-la viva ou morta, Linda Howard tece uma surpreendente história de suspense, romance e erotismo.

Era um emprego para matar. Eficiente, profissional e sem o mínimo de arrependimento, Lily Mansfield é uma assassina de aluguel contratada pela CIA. Seus alvos eram sempre os poderosos e corruptos, aqueles que nunca são atingidos pela lei. Agora, depois de dezenove anos de serviço, Lily se envolveu por razões pessoais num jogo perigoso, para o qual não recebeu permissão. Com atitudes cada vez mais ousadas, ela acabou comprometendo seus superiores, atraiu atenção indesejada e arriscou a própria vida. Apesar de o estresse e a tensão fazerem com que ela se sinta invencível e até mesmo um tanto convencida, Lily também sabe que pode ser eliminada num piscar de olhos. E, se for a sua hora, tudo bem. Ela pretende morrer lutando.

Lucas Swain, um agente da CIA, também reconhece os sinais perturbadores na linha de fogo. A ordem que recebe é para matá-la ou prendê-la. Mas ele também é atraído para o jogo com Lily Mansfield, equilibra-se na corda bamba ao tentar evitar uma catástrofe mundial e, ao mesmo tempo, luta contra um inimigo obstinado que vigia todos os passos deles dois. Mantendo o foco no seu objetivo e atenta para não ser pega, Mansfield não vê o perigo mortal que está indo em sua direção. E terá que descobrir que a lealdade tem seu preço.

Repleto de intriga, ação eletrizante e sensualidade, características que fizeram de Linda Howard a mestra do suspense romântico, BEIJE-ME ENQUANTO DURMO é uma história ousada de paixão, reviravoltas e personagens magnificamente elaborados que irão prender a atenção dos leitores.

Livro: BEIJE-ME ENQUANTO DURMO
Autor: LINDA HOWARD
Editora: Bertrand Brasil
1ª Edição (2006)
Páginas: 350
ISBN: 9788528612110


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre BEIJE-ME ENQUANTO DURMO:

Augusta Tietê: Li Beije-me enquanto durmo sem muito entusiasmo. A trama poderia ser melhor. Achei o personagem Lucas Swain um bobo alegre, estereótipo óbvio do homem-sedutor-que-adora-carros-e-aventuras. Não convenceu como par de Lily Mansfield e aquelas risadas dele me davam nos nervos. Se um namorado meu se comportasse assim, eu o colocava para correr na hora.

London Hilton: Gostei desse livro. O começo, narrando o jantar de Lily com o todo-poderoso Salvatore Nervi e a tática que ela emprega para matá-lo, foi muito bem feito. O veneno era forte mesmo. De resto, o livro não trouxe grandes novidades, mas a leitura valeu pelo ritmo e pela leveza, mesmo nas cenas mais trágicas. Linda Howard conseguiu dosar thriller e sensualidade na medida certa, embora pudesse ter adicionado um pouquinho mais de tempero.

Macabéio: O título já é o maior chamariz: Beije-me enquanto durmo. A narrativa prende a atenção e torcemos por Lily Mansfield e visitamos seus dramas internos com interesse. Lucas Swain é meio chatinho, mas o pior é o nome de um dos filhos do finado Salvatore Nervi: Damone. Parece nome de iogurte. Embora não dê para levar muito a sério um personagem que se chama Damone, ele acaba se revelando, mais para o final, uma figura interessante.

Gisele Letras: Beije-me enquanto durmo é um thriller competente e bem realizado, mas não empolga. É o típico "mais do mesmo". Lily e seus conflitos pessoais, a família de mafiosos italianos, Lucas, o agente descolado da CIA com fixação por carros... Linda Howard dá a impressão de que não conhece os homens a fundo, porque Lucas é a soma de todos os clichês masculinos mais rasteiros. Só faltou a cerveja, o futebol e coçar o saco. Não há muito suspense, o personagens, mesmo Lily, são bem previsíveis - com exceção de Damone Nervi e de Frank Vinay (o diretor de operações da CIA). Linda Howard escreveu um livro bom, mas há outros dela melhores.

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segunda-feira, abril 06, 2009

O TERCEIRO SEGREDO, de Steve Berry

Steve Berry escreveu um livro empolgante, em que o futuro e a história da Igreja Católica estão em jogo.

Fátima, Portugal, 1917: A Virgem Maria aparece para três crianças camponesas, confiando-lhes três segredos. Dois são imediatamente tornados públicos. O terceiro fica lacrado nos arquivos secretos do Vaticano e só é divulgado no ano 2000. O conteúdo enigmático do manuscrito deixa fiéis de todo o mundo questionando se a Igreja revelou todas as palavras de Nossa Senhora ou se trechos da mensagem teriam sido deixados nas sombras do Vaticano.

Cidade do Vaticano, dias de hoje: padre Colin Michener, novo secretário papal, está apreensivo. Nas últimas noites, o papa Clemente XV tem-se isolado na Riserva do Vaticano, que, separada do mundo por sólidas barras de ferro, guarda, arquivados em seu interior, documentos confidenciais, como a confissão de Galileu Galilei, o Tratado de Tolentino e o terceiro segredo de Fátima.

Quando Clemente XV ordena que o padre Michener siga para a Romênia e para um local sagrado na Bósnia, em busca de um velho pároco - possivelmente a última pessoa no mundo que conhece a mensagem de Maria -, uma série de acontecimentos ameaça desestabilizar a Igreja Católica.

Livro: O TERCEIRO SEGREDO
Autor: STEVE BERRY
Editora: Record
1ª Edição (2005)
Páginas: 462
ISBN: 9788501074027


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre O TERCEIRO SEGREDO:

Beta Langdon: O livro não é exatamente ruim. É escrito de forma clara, não confunde o leitor, e tem bom ritmo, mas achei a história morna. Faltou emoção. Em nenhum momento, o protagonista, Colin Michener, fica realmente ameaçado, os vilões são meio sem sal e o romance entre Michener e Katerina não convence nem emociona. É forçado, parece que foi posto ali só porque o livro pedia uma personagem para desempenhar determinadas funções e porque Michener precisava de um par romântico para fazer certos questionamentos. O final é ridículo. Não termina o livro. Berry ainda tem que comer muito ovo com bacon para chegar a um Dan Brown, com quem é comparado (aliás, o que tem de autor mediano sendo comparado com Dan Brown por aí, não está no gibi. Será que o Brown não se incomoda não?).

Eça de Assis: O terceiro segredo é excelente leitura, um excelente thriller. Já no prólogo o leitor se depara com uma reconstituição romanceada e emocionante da aparição de Nossa Senhora em Fátima. Ao longo do livro, uma das coisas que saltam aos olhos é a pesquisa que Steve Berry fez sobre a Igreja Católica, o Vaticano, as aparições da Virgem, as previsões como as de São Malaquias, etc. e a trama acaba visivelmente sendo costurada em cima desses detalhes, o que torna o livro incrivelmente real. Colin Michener é um protagonista carismático, o cardeal Valendrea, um vilão na medida certa e o destaque fica para o papa Clemente XV, e suas semelhanças com Bento XVI, começando pelo fato dos dois serem alemães (detalhe: o livro foi escrito quando João Paulo II ainda era o papa).

H. Ester: Comecei a ler O terceiro segredo numa sexta-feira à noite e terminei no domingo à tarde. Menos de dois dias de leitura, em que não consegui largar o livro, que tem mais de 450 páginas. Mais do que a trama em si, o que fascina neste thriller são as revelações que Steve Berry faz sobre as previsões marianas e os bastidores do Vaticano. A trama é surpreendentemente bem ambientada e a pesquisa que Berry fez deve ter sido exaustiva. O resultado é um livro agradável de se ler, crível e que, através de um enredo ficcional, revela aos leitores muitos mistérios da Igreja, inclusive reproduzindo textualmente os três segredos de Fátima. Steve Berry tem mão e tino de ficcionista e seu livro desbanca muitos trabalhos de muitos autores veteranos de thrillers.

Bentinha Escobar: O terceiro segredo não é o melhor nem o pior thriller que já li, mas a leitura valeu as horas gastas. Apesar dos problemas da narrativa, principalmente na relação inconvincente entre Colin Michener e Katerina e no final sem graça, o livro tem momentos muito bons, como o do confronto entre o papa Clemente XV e o cardeal Alberto Valendrea na Riserva do Vaticano e o conclave quando o novo papa é eleito. Os personagens de Michener, Clemente e do cardeal africano Ngovi são os melhores, enquanto Katerina e os padres Ambrosi e Kealy são fracos e robotizados e poderiam ter sido melhor construídos. Valendrea é um antagonista competente, embora sua figura seja nojenta demais (Berry exagerou). Aprendi muita coisa sobre os segredos de Fátima e sobre o funcionamento do Vaticano. Neste ponto o livro faz lembrar Anjos e demônios, de Dan Brown, embora não possua nem um décimo da emoção e do ritmo deste.

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segunda-feira, março 30, 2009

1º A MORRER, de James Patterson

Em uma narrativa de tirar o fôlego, James Patterson nos apresenta as integrantes do Clube das Mulheres Contra o Crime, às voltas com um serial killer que assassina homens e mulheres que acabaram de se casar.

No Estado da Califórnia, um assassino é movido por bizarra compulsão: esfaquear homens e mulheres que acabaram de casar. Esse serial killer sente prazer em ceifar as vidas de pessoas apaixonadas, sendo capaz de matar com requintes de crueldade e alto grau de frieza.

Inconformadas com a atuação da polícia, que não consegue solucionar o caso, quatro mulheres incríveis vão se unir em torno de um objetivo comum: encontrar, prender e superar o diabólico assassino.

Lindsay é a inspetora de homicídios da delegacia de polícia da cidade. Claire é médica-legista. Jill, assistente da promotoria. Cindy, por sua vez, é a mais nova repórter da seção policial do San Francisco Chronicle. Elas sabem que, se unirem suas forças, coragem e inteligência, têm alguma chance de pôr fim à onda de mortes que assola a cidade, mas não imaginam que a verdade, nesse caso, vai abalar todas as suas convicções.

Livro: 1º A MORRER
Autor: JAMES PATTERSON
Editora: Rocco
1ª Edição (2008)
Páginas: 376
ISBN: 9788532523310


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre 1º A MORRER:

W@L: Esse thriller é sensacional. Parte de um argumento aparentemente banal e já bastante explorado (assassinatos em série, uma investigadora com problemas pessoais, etc, etc. e tal) para presentear os leitores do gênero com uma trama inovadora e com boa pegada. Embora não chegue a ser uma história surpreendente, ela não tem aquele gosto de déja-vu. A partir da terceira parte o livro ganha em velocidade e surpreende a capa página. Nada é previsível e quando o leitor acha que solucionou o mistério, vem uma reviravolta e ele retorna à estaca zero. James Patterson é incansável na sua capacidade de escrever boas histórias.

Agente 1986: O que dizer deste livro? A idéia do clube das mulheres contra o crime, nas mãos de um autor desastrado (tipo um David Gibbins da vida, ou um Peter Harris, ou um Noah Charney) naufragaria muito fácil. Mas James Patterson é craque e craques podem jogar medianamente uma vez ou outra, mas jamais serão pernas de pau. Patterson deu vida a um assassino metódico de recém-casados e a uma inspetora de homicídios, Lindsay Boxer, atormentada por um problema raro e grave de saúde, acrescentou alguns temperos, uns cenários glamourosos, deu uma mexida boa e o resultado foi um livro muito agradável de ler, apesar de alguns lances meio inverossímeis que não chegam a comprometer o conjunto. Não é uma história policial mulherzinha, muito menos uma trama do tipo As panteras, então os leitores homens podem perder a desconfiança e ler 1º a morrer numa boa.

Mrs. "M": Os dois primeiros capítulos de 1º a morrer são impactantes e chocam o leitor logo de cara, para não deixar dúvidas sobre o que vem a seguir. E o que vem a seguir é uma trama muito boa, que prendeu minha atenção. Fazia muito tempo que eu não lia um livro de James Patterson e 1º a morrer foi um ótimo retorno às obras desse grande escritor, que eu adoro. Além do assassino e sua mente perturbada e perturbadora, as personagens Lindsay e Claire são as melhores. Lindsay e seu drama com a tal da anemia de Negli, é uma personagem complexa e carismática, nem boazinha e nem durona demais. Uma figura bem próxima da realidade da mulher urbana contemporânea. A tragédia que ela viveu no final foi de fazer chorar. Cindy e Jill me entediaram um pouco, principalmente Cindy e seu jeito crazy de jornalista "sou jovem-atrevida-posso tudo", mas elas foram bem construídas por Patterson. Já estou curiosa para ler os novos livros da série. Editora Rocco, não demore, please.

Martina Memory: 1º a morrer é um livro que engana uma porção de vezes à medida que é lido. E enganou até a mim, que sou leitora veterana de thrillers. A parte final, quando os crimes são finalmente desvendados é emocionante em todos os sentidos, digna de um mestre. James Patterson soube despistar o leitor muito bem, como poucas vezes vi. Só o epílogo é que achei um pouco forçado. Não precisava aquilo, foi apelativo demais e quase estragou tudo. O bom seria se o livro tivesse acabado na página 368. Também a história do disfarce não convenceu muito. E não é só a aparência. Fico perguntando como "Phillip Campbell" disfarçou a própria voz.

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segunda-feira, março 23, 2009

SOBRE MENINOS E LOBOS, de Dennis Lehane

Em SOBRE MENINOS E LOBOS, dor e violência arrastam o leitor numa trama em que as perspectivas de vida e de realização não ultrapassam os sufocantes limites de dois bairros historicamente construídos em torno do crime.

O carro marrom, quadrado e comprido, do tipo usado pelos detetives de polícia, encostou perto dos três meninos que ensaiavam uma briga de rua na violenta periferia de Boston. Aturdidos com a inesperada abordagem, Sean e Jimmy viram o amigo Dave ser levado por dois homens que, ao que tudo indicava, perteciam ao corpo da polícia. No entanto uma brusca mudança na atmosfera daquela manhã - subitamente mais sombria - os advertiu de que havia algo errado: uma simples disputa entre três garotos de onze anos não era caso para uma interveção desse tipo.

Vinte e cinco anos mais tarde, Sean, agora policial da Divisão de Homicídios, é escalado para cuidar do assassinato da bela filha de Jimmy. Distantes desde a época do seqüestro de Dave, os três companheiros voltam então a se encontrar e, espelhados nas águas correntes do rio Mystic, tentarão se livrar definitivamente do que ficou tanto tempo à margem.

Livro: SOBRE MENINOS E LOBOS
Autor: DENNIS LEHANE
Editora: Companhia das Letras
1ª Edição (2002)
Páginas: 552
ISBN: 9788535903058


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre SOBRE MENINOS E LOBOS:

Gisele Letras: Sobre meninos e lobos é apresentado como um romance policial. Mas sempre o achei muito mais um thriller. É verdade que grande parte da trama gira em torno de um assassinato e é verdade, também, que um dos protagonistas é um policial. Mas como todos os personagens estão muito diretamente ligados aos dilemas dramáticos da história, a narrativa foge um pouco ao modelo do romance policial clássico, incluindo alguns dos outros livros do próprio Dennis Lehane.

Augusta Tietê: A história é boa, mas não me empolgou do jeito que eu achava que ia empolgar. Gostei mais do filme. Lehane pesa a mão em alguns momentos e tem páginas e mais páginas do livro que cansam com tantas descrições. Cheguei a ter vontade de pular algumas, mas resisti. Não é um livro agradável do tipo "a justiça será feita, tudo será resolvido e tudo, no fim, dá certo". Todos os três protagonistas vivem seus dramas de forma intensa e o leitor sente como se estivesse acontecendo com ele.

Léo Bloom: Melhor livro de Dennis Lehane, o que ele vai mais fundo na psiquê dos protagonistas. O cara tem que saber escrever para conseguir fazer o que ele fez. Misturar uma trama de mistério com conflitos psicológicos de três personagens e se sair bem é uma proeza e Lehane conseguiu. A primeira parte, em 1975, quando Dave é levado pelo carro marrom é assustadora. Jimmy é um personagem ambíguo do qual eu gostei, apesar de tudo. É humano, mas com acessos violentos de desumanidade. Um homem capaz de amar a filha e sofrer que nem um cão com a morte dela e, ao mesmo tempo, cometer uma injustiça brutal sem se mostrar arrependido.

London Hilton: O livro é bom, os dramas dos três personagens principais são bem explorados, mas fiquei um pouco decepcionada com a parte da investigação em si. Me pareceu que o assassinato de Katie Marcus, filha de Jimmy, não passou de um pretexto para fazer os três amigos de infância se reencontrarem e relembrarem a ferida de 25 anos atrás, quando Dave foi seqüestrado por dois maníacos. Sim, porque a solução do crime foi ridícula. Nem vou comentar aqui, mas quem leu sabe. Para quem gosta de thrillers, Sobre meninos e lobos pode decepcionar. Já quem espera ler um romance de mistério com elementos diferenciados e algum aprofundamento existencial, o livro funciona bem.

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Nota de Flavia Andrade: Sobre meninos e lobos foi lançado no cinema em 2003, com direção de Clint Eastwood. No elenco, Sean Penn (Jimmy), Kevin Bacon (Sean) e Tim Robbins (Dave), entre outros. O filme fez grande sucesso e recebeu seis indicações para o Oscar, em 2004: melhor ator (Sean Penn), melhor ator coadjuvante (Tim Robbins), melhor atriz coadjuvante (Marcia Gay Harden), melhor roteiro adaptado, melhor direção e melhor filme. Faturou os dois primeiros. Sobre meninos e lobos está disponível em DVD e, para adquiri-lo no Submarino, é só clicar AQUI.

segunda-feira, março 16, 2009

ATLANTIS, de David Gibbins

Misturando ficção com dados históricos reais, ATLANTIS é um thriller diferente, no qual tudo poderia ser verdade.

Fascinado durante séculos pelo mito da Atlântida, o homem nunca parou de procurar pela ilha fabulosa, um lugar mais avançado que qualquer outro, cujo povo vivia em harmonia e grande fartura. A sociedade perfeita que repentinamente afundou entre as ondas nos primórdios da história, não deixando nenhum rastro sobre o seu paradeiro e protegendo seus grandes segredos dentro das próprias paredes.

Um dia, no entanto, o arqueólogo marinho Jack Howard teve sorte. Enquanto mergulhava em busca de um naufrágio do tempo de Homero, no Mediterrâneo, sua equipe descobriu o que poderia ser a chave para localização da cidade perdida. Armado com a experiência que tinha feito dele um dos mais renomados profissionais, Jack saiu em busca daquilo que outros haviam tentado encontrar durante milhares de anos.

E ele está prestes a fazer uma descoberta assombrosa - que iria apaziguar os demônios que o perseguiam. Mas alguém mais ficou sabendo da localização da Atlântida... e Jack e sua equipe são repentinamente envolvidos em um jogo de vida ou morte cujas conseqüências podem destruir muitas vidas. Porque aquilo que Jack descobre está além de seus sonhos mais fantasiosos - e a revelação será obtida a um preço terrível.

Livro: ATLANTIS
Autor: DAVID GIBBINS
Editora: Planeta
1ª Edição (2006)
Páginas: 440
ISBN: 9788576651413


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre ATLANTIS:

Bentinha Escobar: Teve um blog chamado Libru Lumen que elegeu Atlantis o pior livro lido em 2007. Pois eu o elegi o pior livro lido em 2008. Por mim, ele nem apareceria aqui no Textos & Thrillers, porque pode funcionar como propaganda. E quanto menos publicidade essa porcaria tiver, melhor. Então prefiro não comentar.

Eça de Assis: Atlantis é um thriller muito chato. Arrastado, confuso e extremamente inverossímil. O protagonista, Jack Howard, é a soma de todos os piores clichês, além de não ter carisma nenhum. O mito de Atlântida, que rendeu grandes romances contemporâneos como A queda de Atlântida, Morte na Atlântida, Morte no colégio, e Atlântida - o oitavo continente, foi muito mal explorado. Não empolga, não entretê, não informa. Mas pode servir de sonífero. Bola fora da Planeta.

Beta Langdon: Comecei a ler Atlantis com interesse. A capa é chamativa, o tema interessante e tudo fazia crer que se tratava de um thriller poderoso. Mas já no segundo capítulo, meu interesse murchou e no quarto eu não queria mais prosseguir com a leitura, de tão chata. Por que David Gibbins não escreveu um tratado sobre pesquisas arqueológicas e geológicas? Teria sido muito mais honesto da parte dele e os pobres leitores crédulos como eu, seriam poupados do constrangimento de ler um romance tão, mas tão ruinzinho.

H. Ester: Comparar David Gibbins com Dan Brown como está na contracapa do livro é um absurdo. Gibbins não poussui nem uma migalha do talento do autor de O código Da Vinci, não sabe contar uma história, não consegue prender a atenção do leitor, enche o livro com informações técnicas e científicas complicadas e sem nenhuma função na trama, os personagens são previsíveis, sem graça, sem charme... Nada nesse livro se salva. Nem sei se Atlantis pode ser chamado de "thriller", porque o suspense é quase nenhum. E o pior é que a Editora Planeta ainda teve a coragem de publicar um outro romance de Gibbins, que me disseram ser ainda pior do que Atlantis, porque nem o tema é atraente. Nunca mais lerei um livro desse autor.

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segunda-feira, março 09, 2009

O ÍCONE, de Gary Van Haas

Ícone, eikón, ónos (grego) / s. 1. Imagem pictórica.2. Imagem religiosa convencional, geralmente pintada sobre pequenos pedaços de madeira, usada para adoração na Igreja Ortodoxa. (Dicionário Webster's).

O ÍCONE é um suspense com muita aventura que se passa nas ilhas gregas nos dias de hoje. Conta a história de Garth Hanson, um jovem pintor americano, a quem é encomendada a cópia de um ícone famoso. A encomenda, na verdade, é uma chantagem, e Hanson cai nas mãos de uma quadrilha internacional. À medida que a trama vai se desenvolvendo, fica claro que esse ícone é muito mais do que um ícone famoso: é a chave para documentos da era cristã que foram perdidos no mar Morto. Esses documentos estiveram na posse dos Cavaleiros Templários no ano de 1099.

A obra está sendo roteirizada para o cinema (Green-light sheet), que terá como atores Pierce Brosnan e Catherine Zeta-Jones e será filmado na Grécia e no Reino Unido, em uma co-produção. O livro, quando publicado em 2000, obteve boa tiragem de venda (600 mil exemplares) por uma editora pequena. Os direitos autorais já foram vendidos para 15 países, que se interessaram após saberem da estréia para o cinema.

Livro: O ÍCONE
Autor: GARY VAN HAAS
Editora: Prumo
1ª Edição (2008)
Páginas: 216
ISBN: 9788561618551


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre O ÍCONE:

W@L: Bom livro. Pouco pretensioso. Competente. Sem muito em comum com a média dos thrillers. O autor tem uma linguagem que flui e sabe contar uma história. A ambientação é caprichada. Pelas descrições de Gary Van Haas, é possível visualizar com muita nitidez a beleza das ilhas gregas, o mar refletindo o brilho do sol, o calor no verão da caótica Atenas... Me senti transportada para lá. A gente sente que existe um mistério por trás do desejo de se obter o tal ícone, que vai além do ícone propriamente dito e isso alimenta o mistério, que acaba servindo de combustível à trama.

Paty Faria: Não me empolgou. A trama é linear e meio previsível. O livro quase não tem suspense, só arranca de verdade lá pela página 175 (o livro tem 214) e mesmo assim sem muito fôlego. O final é sem graça e não causa muito impacto. Talvez se eu tivesse lido o livro na época em que ele foi lançado (em 1999 ou 2000, antes de O código da Vinci e seus descendentes) a minha impressão fosse diferente. Mas a sensação foi de um déja-vu. Sinceramente, esperava mais.

Martina Memory: O ícone é um livro interessante, mas eu poderia passar sem ele. Sinceramente, pelo visual da capa, pelo texto de apresentação e pela empolgação da nossa webmaster, Flavia Andrade (que deve ter sido a primeira pessoa a comprar o livro), esperava mais. Mas não foi uma leitura perdida. Uma das coisas que esse livro mostra é a diferença entre um livro escrito por um homem e um escrito por uma mulher, quando não são muito talentosos. Esse é, claramente, escrito por um homem. Todos os detalhes da trama - das descrições dos carros, à forma como o narrador fala das mulheres - são inegavelmente pontos de vista masculinos. Tudo bem que o livro é narrado na primeira pessoa. Mas senti falta de uma certa delicadeza. Mesmo assim, O ícone tem um clima sutil de suspense que combinado com o charme da ambientação na Grécia, torna a leitura agradável. Tem uma hora, mais para o final da história, em que acontece o clímax e o suspense aumenta. Não sei se leria um outro livro de Gary Van Haas.

Agente 1986: Gostei muito deste O ícone. Foi uma grande idéia a de Gary Van Haas e tenho a impressão que Dan Brown deu uma lida nesse livro antes de escrever O código Da Vinci (para quem não sabe, O ícone, que está sendo lançado só agora no Brasil, saiu nos Estados Unidos em 2000). Isso precisa ser levado em conta. Além disso, o autor tem uma grande qualidade: não enche linguiça. O protagonista, Garth Hanson é o que muitos homens gostariam de ser: malandro, artista, namorador, tem todas as mulheres aos seus pés, viaja e ainda passa por aventuras nas Ilhas Gregas. Lendo o livro, toda hora me dava vontade de largar tudo aqui para o alto e me mudar para Míconos para levar a vida que ele leva, com os bons amigos que tem (Eugene e Dmitri) e as mulheres que encontra (Linda e Maria). Sensacionais as sacadas de Gary Van Haas para a fortaleza do casal gay Bryan e Fredericks, com seus "pupilos" Eric e Jacinto e para a composição do vilão, Meissner. De resto, morri de calor aqui com a descrição do verão grego que parece ser ainda mais forte do que o brasileiro.

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