segunda-feira, novembro 17, 2008

Nunca fui aluna de Robert Langdon

por Beta Langdon, de Roma

Eu e meu marido fomos comemorar nossos dez anos de casamento na Áustria. Dois dias depois de chegarmos a Viena, soubemos que o Papa João Paulo II tinha morrido. Estávamos no começo de abril de 2005. Fazia muito frio em Viena, mas tínhamos ido mesmo (entre outras coisas) por causa do frio e para talvez, quem sabe, dar uma fugidinha para esquiar em Arlberg, mas o inverno já tinha acabado e eu não sabia se ainda havia neve suficiente por lá. Ficamos mais três dias em Viena e em vez de continuarmos nossa viagem para Innsbruck e Salzburgo como tínhamos planejado, pegamos um avião para Roma. Eu adorava aquele papa e fiquei muito triste com a morte dele. Meu marido, muito católico, também fez questão de se despedir dele. E lá fomos nós.

Uma vez em Roma, largamos tudo no hotel e fomos direto para o Vaticano. Era muito cedo e uma fila imensa saía de dentro da Basílica de São Pedro, continuava pela Via della Conciliazione (a principal rua de acesso à Praça São Pedro) até fora dos muros do Vaticano. Equipes de TV do mundo todo estavam amontoadas na avenida que margeia o rio Tibre e havia muito policiamento. Ficamos horas em pé, andando a passinhos de tartaruga até conseguirmos entrar na basílica e dar adeus ao querido Sumo Pontífice. Chorei muito ao ver o corpo dele, todo paramentado, ali exposto. Saímos de lá e para me distrair, meu marido resolveu me levar para um passeio por Roma, que é uma cidade linda e que eu não conhecia. Estava cansada de tanto ficar em pé, mas mesmo assim, topei. Fomos a várias igrejas, visitamos o Coliseu e as ruínas da Roma imperial e demos uma passeada pelas ruas de comércio chique, até que eu, exausta, pedi para sentarmos num dos restaurantes com mesinhas ao ar-livre na praça em frente ao Panteão. O Panteão é um antigo edifício greco-romano, com pilares suntuosos na fachada e que foi convertido numa igreja católica.

Tinha bastante gente no local. Eu estava acabando de comer uma massa e tomar um tinto delicioso quando percebi um movimento esquisito de policiais. Eram muitos. Todos se comunicavam por walkie-talkies, meio nervosos e alguns se dispersaram para cercar o Panteão. Eu e meu marido ficamos com medo. Ameaça de bomba? Tudo era possível depois do 11 de setembro e ainda mais em pleno velório do papa e pedimos a conta rápido. Foi aí que eu percebi em meio aos policiais, um casal interessante: um homem de meia-idade vestindo um paletó de tweed e uma mulher, mais moça que ele com um shortinho branco, curto. Estava frio, como ela conseguia só usar aquilo? Mas tudo bem, vai ver ela tinha vindo de um lugar mais frio ainda. De Moscou ou da Finlândia, talvez. Se bem que ela estava bronzeada. Bom, isso não vem ao caso.

O que vem ao caso é que, depois de pagarmos a conta, meu marido, em vez de sair correndo dali para o hotel, resolveu ir ver o que estava se passando. Fui atrás dele e, quando chegamos perto, consegui ouvir o policial que aparentava ser o chefe da operação falar para o homem de paletó:

Mister Langdon, this had better not blow up in our faces.

Langdon? Como assim “Langdon”? Eu tinha ouvido “Langdon”?

Olhei para o homem de paletó: meia-idade, biótipo de inglês ou americano branco. Não era italiano, ainda mais porque o policial tinha falado com ele em inglês. Ele sorriu meio sem-graça e o policial falou no walkie-talkie, em italiano:

Sono le diciannove, quarantasei minuti e trenta secondi... Siete tutti ai vostri posti?

Foi quando criei coragem e me aproximei do homem de paletó, que suava muito apesar do frio. Aproveitando que o policial estava distraído dando ordens pelo walkie-talkie, perguntei, no meu inglês bipolar:

— Você é o professor Robert Langdon? O famoso professor Robert Langdon?

O homem olhou para mim, meio confuso e deu um sorriso simpático:

— Não sou tão famoso.

— Você não é professor de Simbologia Religiosa na Universidade de Harvard?

Ele me examinou com os olhos, tentando me reconhecer.

— Você foi minha aluna? Engraçado, não me lembro da sua cara...

Não deu para continuar a conversa, porque a moça de short, que descobri que se chamava Vittoria, começou a gritar em italiano com o policial:

Comandante, non manda nessuno dentro al Pantheon?

Langdon desviou a atenção de mim. Uma discussão tinha começado. Os policiais estavam mais nervosos. Falavam em invadir o Panteão. Falavam que alguém pretendia matar um cardeal. Não entendia o que estava acontecendo. Essa cena não era para ter acontecido durante o Conclave? Por que Robert Langdon estava caçando os Illuminati durante o velório do Papa?

Fomos embora dali, eu e meu marido, antes que sobrasse para nós. Nem consegui visitar o Panteão.

A única certeza que eu tive sobre aquele encontro foi quando lançaram O Código Da Vinci no cinema, um ano depois: o Robert Langdon que eu conheci na praça do Panteão era completamente diferente do Tom Hanks.

Nota de Flavia Andrade: Nossa colega "Beta Langdon" se baseou numa cena do livro
ANJOS E DEMÔNIOS, de Dan Brown, para descrever essa hipotética conversa com Robert Langdon.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Ah, esses thrillers e seus personagens maravilhosos...

O TEXTOS & THRILLERS é um blog que cumpre o que promete. Prometemos, no post da semana passada, divulgar, hoje, a relação dos personagens memoráveis de thrillers que serão tema de textos publicados aqui nas próximas semanas e, agora, estamos cumprindo.

Eis a lista completa, com os personagens, as datas de publicação (sempre às segundas-feiras) e os autores das crônicas, selecionados entre os honoráveis membros do Ts&Ts:

17/11 - ROBERT LANGDON, por Beta Langdon (de Roma)
24/11 - VITO CORLEONE, por Paty Faria (de Nova York)
01/12 - MARIE-CÉCILE DE l´ORADORE, por W@L (de Chartres)
08/12 - EVELYN WAKIM, por Martina Memory (de Beirute)
15/12 - ALEC LEAMAS, por Eça de Assis (de Berlim)


A partir do dia 15 de dezembro o blog entrará em recesso de fim de ano, retornando em 2009, com novos comentários sobre mais thrillers.

Saudações da Flavia Andrade e de toda a comunidade do Ts&Ts

segunda-feira, novembro 03, 2008

Thrillers de escritores brasileiros


Estimulados por um e-mail supersimpático enviado pela querida Bia Nunes de Sousa, proprietária dos blogs amigos Criminália e No Casco da Tartaruga e também apreciadora de thrillers e livros de mistério e policiais, resolvemos publicar uma listinha de thrillers escritos por autores brasileiros e que foram lidos pelos Ts&Ts.

Imaginamos que existam outros, mas essa lista só cita os livros que nós já lemos aqui no grupo. São poucos, é verdade. Acontece que os brasileiros não escrevem muitos thrillers e, por isso, os estrangeiros acabam tendo bem mais destaque.
Os títulos estão em ordem alfabética:

120 HORAS - Luis Eduardo Matta
AURORA: OS ANJOS DO APOCALIPSE - Fritz Utzeri
CONEXÃO BEIRUTE-TEERÃ - Luis Eduardo Matta
HONRA OU VENDETTA - Silvio Lancellotti
IRA IMPLACÁVEL: INDÍCIOS DE UMA CONSPIRAÇÃO - Luis Eduardo Matta
LEMNISCATA: O ENIGMA DO RIO - Pedro Drummond
MORTE NO COLÉGIO - Luis Eduardo Matta
O CÓDIGO ALEIJADINHO - Leandro Müller
O CONCEITO ZERO - A. J. Barros
O MISTÉRIO DA 13ª LETRA - Andre Esteves
OS MERCADORES DA NOITE - Ivan Sant´Anna
RAPINA - Ivan Sant´Anna


A partir dessa semana faremos uma pausa nas apresentações e comentários dos livros (foram vinte desde a inauguração do blog, em junho). Na segunda-feira que vem vamos divulgar a lista dos personagens memoráveis de thrillers que serão tema de crônicas escritas por membros do grupo nesta reta final de 2008.

Saudações da Flavia e de toda a comunidade do Ts&Ts

segunda-feira, outubro 27, 2008

NÃO CONTE A NINGUÉM, de Harlan Coben

Em NÃO CONTE A NINGUÉM, Harlan Coben faz o leitor andar em uma corda bamba, onde um passo em falso ou uma palavra pode colocar tudo a perder.

David Beck e sua esposa Elizabeth comemoram o aniversário de seu primeiro beijo no tranqüilo lago Charmaine quando uma tragédia interrompe o clima de romance: Elizabeth é brutalmente assassinada. O caso acaba sendo resolvido e o assassino, condenado. No entanto, David não consegue superar a morte de Elizabeth. Depois de oito anos, ainda se lembra de todos os detalhes: o lago brilhante, o luar pálido, os gritos assustadores; a última noite em que a viu viva.

Mas é no dia do aniversário de morte de Elizabeth que a história realmente começa. Uma estranha mensagem aparece no computador de David, uma frase que somente ele e a esposa conhecem. De repente ele depara com o que parecia impossível - em algum lugar, de alguma maneira, Elizabeth está viva. Ele é advertido para que não conte a ninguém e envolve-se em um sombrio e mortal mistério, sem saber que já está sendo seguido por alguém que o tentará deter antes que descubra toda a verdade.

Livro: NÃO CONTE A NINGUÉM
Autor: HARLAN COBEN
Editora: ARX
2ª Edição (2006)
Páginas: 320
ISBN: 9788575812297


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre NÃO CONTE A NINGUÉM:

Martina Memory: Embora o final seja meio mirabolante e forçado (não me convenceu muito), o livro vale bastante a leitura. É muito bom, prende a atenção e deixa o leitor com a ansiedade e mil por hora em alguns momentos. Harlan Coben criou um thriller de mistério, sem perder o fio da meada (ele só se perde um pouquinho no final). Os personagens, tirando o Beck não são aprofundados, mas isso não é ruim, porque senão poderia prejudicar o ritmo da narrativa. E, além de tudo, a capa da segunda edição é linda.

Augusta Tietê: Um thriller fenomenal. Mesmo! Tudo na medida certa: sentimentos, mistério, suspense, ação, violência... Beck é emotivo sem ser piegas. O personagem Tyrese é muito bem construído, sem clichês, sem juízo de valor, sem discursos politicamente corretos, o autor não fazendo do personagem porta-voz de chavões sobre a marginalidade. Os fatos são narrados e os leitores concluem o que quiserem. Se fosse no Brasil, com certeza o escritor se sentiria na obrigação de cair na velha cantilena sociológica sobre cidade partida, favela X asfalto, essas coisas... Em Não conte a ninguém a gente percebe que nenhuma cena é desnecessária. Cada movimento, cada descrição tem uma função na trama, que é competente e bem realizada. Para mim, Harlan Coben é, hoje, um dos melhores autores de thrillers.

Paty Faria: Virei fã de Harlan Coben depois de ler esse livro maravilhoso. De uma idéia aparentemente simples (marido apaixonado que perde a mulher de forma misteriosa e trágica oito anos atrás) o escritor criou uma trama complexa e que não dá pra largar. O protagonista, o pediatra David Beck, com sua saudade da mulher, sua vida mecânica e a forma objetiva de enfrentar a mudança radical e repentina na sua vida, foi muito bem desenvolvido. Achei que o vilão Griffin Scope poderia ter aparecido mais, ser melhor explorado. Se tivesse sido, ele seria sério candidato a virar um dos grandes vilões dos thrillers contemporâneos. Para mim, essa foi a principal falha do livro. Assim como os capítulos finais, fraquinhos demais para explicar uma trama tão boa.

Eça de Assis: É interessante notar que Harlan Coben conseguiu em Não conte a ninguém alternar, com sucesso, capítulos na primeira e na terceira pessoas, coisa que muitos autores se enrolam feio. As cenas de David Beck são sempre narradas por ele, na primeira pessoa, sendo que nas que ele não tem voz, a narrativa é na terceira pessoa. Beck é um grande protagonista, por sinal. Assim como Tyrese é a grande revelação. Seu papel cresce no decorrer do livro e a ambigüidade extrema da sua personalidade o fazem uma das estrelas da trama. Griffin Scope, o antagonista, também é bem construído, mas, infelizmente, aparece muito pouco. Essas aparições, no entanto, são marcantes. No mais, Não conte a ninguém é um thriller de muita ação e com um clima de mistério sufocante, que deixa qualquer adorador de livros de suspense em estado de êxtase e com o coração querendo sair pela boca.

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segunda-feira, outubro 20, 2008

O ENIGMA VIVALDI, de Peter Harris

Neste romance de Peter Harris, em que ficção e realidade se misturam, o leitor irá desembarcar na Veneza do século XXI para acompanhar a incessante busca pelo maior enigma de Vivaldi, guardado durante dois séculos e meio por ameaçar os alicerces do Cristianismo.

Admirador do prete rosso – padre vermelho –, nome pelo qual o compositor veneziano Antonio Vivaldi era conhecido por causa da cor dos cabelos, o jovem espanhol Lucio Torres decide ir a Veneza para participar de uma jornada musical sobre o músico e, assim, conhecer um pouco mais de sua vida e obra. Ao se deparar com a total falta de organização do evento, resolve pesquisar sobre o ídolo e curtir Veneza por conta própria. A encantadora Maria Del Sarto, filha da dona da hospedaria onde se encontra, acaba se tornando sua guia turística e grande paixão.

Ao folhear um livro de contas de 1741 (ano em que Vivaldi morreu) do arquivo do Ospedale della Pietà, onde o grande maestro havia atuado como professor, Lucio se surpreende com uma partitura sem nome e sem título. Quem compusera aquela música havia utilizado a quarta trítono, uma combinação de notas que produzia um som horrível e era considerada pela Igreja a música do diabo. Convencidos de que a partitura é de Vivaldi e de que nela está o grande segredo que o músico, pouco antes de morrer, enviara de Viena a um colega da Fraternitas Charitaris – sociedade secreta cuja missão era exercer uma espécie de controle sobre determinados saberes a fim de evitar sua divulgação –, o casal decide ir até o fim nas suas buscas para desvendar que segredo era esse que Vivaldi descobrira e que não queria que chegasse ao domínio público.

Livro: O ENIGMA VIVALDI
Autor: PETER HARRIS
Editora: Relume Dumará
1ª Edição (2005)
Páginas: 336
ISBN: 9788573164282


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre O ENIGMA VIVALDI:

Léo Bloom: Sem graça. Pretensioso. Idiota. Totalmente trash. Esses são os melhores eufemismos que eu encontrei para avaliar esse thriller, que foi um dos piores que li desde que o obstetra me tirou da barriga da minha mãe. Qualquer livro ordinário de auto-ajuda é melhor do que O enigma Vivaldi. Não dá pra acreditar que esse lixo tenha sido publicado e ainda por cima traduzido. Parecia uma versão impressa do Ataque dos tomates assassinos.

Mrs. "M": Não vou nem dizer que Vivaldi “deve estar se revirando no túmulo” por ter sido rebaixado a tema desse livro, porque O enigma Vivaldi é tão ruim e ridículo, mas tão ruim e ridículo, que nem dá para levar o fato a sério. Fui mais uma vítima do engodo pós-Código Da Vinci, quando um monte de escrevinhadores resolveu aproveitar o filão para faturar uma prata e encheu as livrarias com livros desprezíveis. Esse Peter Harris (que apesar do nome, é espanhol) definitivamente não sabe desenvolver uma trama que preste. Devia se mudar para Veneza e abrir uma agência de turismo para músicos espanhóis.

Beta Langdon: Mais surpreendente do que o tal de Peter Harris escrever essa droga de livro (afinal, tem tanta gente escrevendo porcaria por aí), foi um editor ter se animado a publicá-lo e outros terem se animado a traduzi-lo e publicá-lo em outros países. Só um editor sem visão pode apostar o nome da sua empresa numa obra assim. Na orelha da edição brasileira tem uma parte que diz: “Nessa fascinante novela de Peter Harris...”. Fascinante novela? Faz-me rir. A Relume Dumará tinha era que ser processada por propaganda enganosa. Quero meu dinheiro de volta!!!

H. Ester: O enigma Vivaldi é um thriller muito chato, previsível e sem emoção nenhuma. Os dois protagonistas (o espanhol Lucio e a italiana Maria) são dois pamonhas. Os vilões, agrupados em torno do dottore Stefano Michelotto são risíveis e totalmente inconvincentes. O livro não tem clímax, o final é boboca, a trama não faz sentido, Peter Harris não é um escritor de thrillers. As únicas cenas razoáveis são as transcorridas no passado, especialmente quando o doge aparece. Mesmo assim, elas não são boas o suficiente para salvar a história de um naufrágio vergonhoso.

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domingo, outubro 12, 2008

ROSAS PARA LEMBRAR, de Phillip Margolin

Complexo e brilhantemente executado, ROSAS PARA LEMBRAR é um livro que, uma vez começado, seduz o leitor até o fim.

As esposas de proeminentes homens de negócios desaparecem sem deixar vestígios, a não ser uma rosa negra acompanhada de uma simples mensagem: "desaparecida, mas não esquecida". Dez anos antes, em Hunter's Point, Nova York, houve uma série idêntica de desaparecimentos - mas o assassino foi pego, o caso foi encerrado e a força-tarefa especial designada para prender o "assassino das rosas" foi desfeita.

Nancy Gordon, detetive da Delegacia de Homicídios do Departamento de Hunter's Point e membro original da força-tarefa, não consegue dormir uma noite inteira desde que os desaparecimentos começaram, perseguida por pesadelos com um assassino sádico que, ela jura, ainda está à solta. Determinada, procura Alan Page, promotor público de Portland, para lhe contar uma história que ele logo esquecerá.

Betsy Tannenbaum, também moradora de Portland e nacionalmente reconhecida como advogada de defesa feminista, é contratada pelo multimilionário Martin Darius, sem qualquer razão aparente. Do outro lado do país, em Washington D.C., o presidente dos Estados Unidos acaba de escolher o senador Raymond Colby para o cargo de presidente do Supremo Tribunal. Em uma reunião particular, Colby garante ao presidente que não está envolvido com nenhuma espécie de crime.

Livro: ROSAS PARA LEMBRAR
Autor: PHILLIP MARGOLIN
Editora: Rocco
1ª Edição (1995)
Páginas: 340
ISBN: 9788532505040


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre ROSAS PARA LEMBRAR:

W@L: Simplesmente brilhante. Um dos melhores thrillers jurídicos que li em toda a minha vida. Phillip Margolin estava iluminado quando teve a idéia para este Rosas para lembrar. A composição do personagem Martin Darius foi primorosa. A descrição de suas atitudes, sua ambivalência, sua frieza transbordante e magnética, tudo faz dele a grande estrela desse romance, mesmo com toda a sua sede de maldade e seu calculismo.

Macabéio: Um livro mediano e bastante confuso. Foi o que achei de Rosas para lembrar. O núcleo do senador Colby, em Washington era totalmente dispensável. Não faria a menor falta excluí-lo do livro e a trama ainda ganharia em agilidade. Por outro lado, Nancy Gordon podia ter sido mais bem explorada. Ela aparece no livro menos do que se espera. Betsy Tannenbaum está bem construída, mas a arapuca em que ela se mete faz com que o leitor se decepcione com a sua reação tímida aos acontecimentos e ela acaba parecendo menos inteligente e sagaz do que talvez fosse a intenção de Margolin. Nota 6.

Agente 1986: Rosas para lembrar é um thriller diferente, estruturado de forma pouco usual e isso talvez assuste alguns leitores. Há um excesso de núcleos. Durante mais da metade do livro os trechos passados em Washington parecem totalmente fora de sintonia com o restante da trama. As cenas transcorridas no passado acontecem de repente e podem confundir muita gente. Ainda assim, é um livro mais positivo do que negativo. A presença de Martin Darius e as cenas antológicas que ele protagoniza já valem a leitura.

London Hilton: Phillip Margolin provou neste livro ser o mestre que é. Ele enrola o leitor direitinho numa trama aparentemente banal, mas que se revela complexa e onde nada é o que parece. O final é meio forçado, mas eu gostei da reação da vítima que jura vingança ao monstro que aterrorizou Hunter's Point. Foi imprevisível o desenrolar da trama. Também o conflito familiar de Betsy Tannenbaum, a inveja que o ex-marido tem do seu sucesso profissional, a ponto de ter pedido o divórcio, tudo isso contribui para dar ao romance uma atmosfera de realismo, já que reflete o que acontece em muitas famílias.

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segunda-feira, outubro 06, 2008

O PODEROSO CHEFÃO, de Mario Puzo

O submundo da Máfia e o talento literário de Mario Puzo ganharam notoriedade com a publicação de O PODEROSO CHEFÃO. Nele, Puzo nos brinda com um dos personagens mais célebres da literatura: o mafioso Don Corleone.

MÁFIA 1900: uma pequena irmandade secreta na Sicília. MÁFIA 1950: uma sociedade em famílias, com o controle total do crime organizado nos Estados Unidos. Entre o começo e o fim, um longo rastro de sangue. Um homem participou de tudo, viu crescer esse império de crime e violência, tornando-se seu capo dei capi, o mandante da morte. Seu nome: Don Vito Corleone.

Publicado em 1969, O PODEROSO CHEFÃO é a mais perfeita reconstituição da Cosa Nostra, a Máfia americana, e do mundo alucinante criado por cinco famílias de mafiosi em guerra em Nova York, sendo a mais influente a chefiada por Don Vito Corleone. Apesar de implacável, Don Vito é, essencialmente, um homem justo. Padrinho benevolente, ele nada recusa aos seus afilhados: conselhos, dinheiro, vingança e até mesmo a morte de alguém. Em troca, o poderoso chefão pede apenas o respeito e a amizade de seus protegidos.

Mas ninguém pode vencer as trapaças da idade. Quando seus inimigos atacarem juntos e tudo o que a família Corleone significa estiver por um fio, o velho Corleone terá de escolher, entre seus filhos, um sucessor à altura para manter o nome e o poder da família num mundo cada vez mais violento de intrigas, traições e decisões cruéis.

Livro: O PODEROSO CHEFÃO
Autor: MARIO PUZO
Editora: Edições BestBolso (Grupo Record)
1ª Edição (2007)
Páginas: 658
ISBN: 9788577990191


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre O PODEROSO CHEFÃO:

Gisele Letras: O poderoso chefão, o livro, é um dos maiores clássicos da ficção popular e Don Corleone um dos personagens mais maravilhosos que eu já vi numa obra literária. A complexidade desse personagem, por um lado bondoso e generoso e por outro um líder mafioso prepotente e implacável, é emocionante. Mario Puzo estava inspiradíssimo quando criou Don Corleone. Só por causa dele, Puzo já ganhou seu lugar na posteridade.

Martina Memory: Confesso que o que mais me fascina na série de O poderoso chefão, é a ênfase que Mario Puzo dá na instituição "família", que para mim é a coisa mais sagrada que existe. Apesar de ser um gângster, um assassino, que corrompe as pessoas com a sua generosidade e o seu paternalismo, Don Corleone ama a sua família, ama seus filhos, promove uma festança de casamento para a filha... Que mulher não queria ter um pai como Vito Corleone nesse momento da vida? A adaptação para o cinema também é o máximo. A escolha de Marlon Brando para o papel de Vito e de Al Pacino para o de Michael não poderia ser mais acertada. Puzo e Francis Ford Coppola são a prova de que o sangue italiano fez bem aos Estados Unidos.

Paty Faria: Já perdi a conta das vezes que reli esse livro e que revi a trilogia no vídeo. Devo ter sido uma das primeiras pessoas a comprar a caixa de DVDs com os três filmes quando eles saíram. Custou uma nota, mas valeu a peníssima. A trama desse primeiro livro é de comover o coração de qualquer um. A ligação que Vito Corleone tem com seus filhos e seus afilhados é muito linda. É uma relação de lealdade que não se vê muito hoje em dia, nesse mundo meio cínico onde a gente vive. Ainda bem que existe a literatura para preencher um pouco a vida da gente com coisas boas. Se não fosse a arte, a humanidade já teria se destruído.

Augusta Tietê: Noves fora a trama, que é fantástica e o protagonista, que é um espetáculo, o que eu gosto mesmo em O poderoso chefão é que o livro mostra como funciona o mundo da corrupção e do crime e ajuda a explicar muito do que acontece aqui no Brasil, com a polícia e a política. Don Corleone poderia ser comparado a um desses políticos coronelistas, que apadrinham aliados e lhes cobram lealdade. No final, estão todos com o rabo preso com o "padrinho" e quando estoura um escândalo político e um desses "poderosões" é acusado, ele leva um bando de gente pra lama com ele e depois acaba impune porque os que o absolveram também têm o rabo preso, nem que seja com outros "padrinhos". E a polícia de Nova York que leva dinheiro dos bookmakers... Bem, isso nem precisa comentar. O mundo do crime só sobrevive porque a polícia faz parte dele.

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Nota de Flavia Andrade: Quando falamos em Don Vito Corleone, logo vem a imagem de Marlon Brando e sua interpretação antológica do líder mafioso criado por Mario Puzo. A versão cinematográfica da trilogia de O poderoso chefão, dirigida por Francis Ford Coppola é uma das obras-primas do cinema americano de todos os tempos e consagrou mundialmente Don Corleone como um dos personagens mais apaixonantes da ficção moderna, por sua complexidade e suas contradições.

Mais de três décadas após ganharem o Oscar de Melhor Filme, os clássicos O poderoso chefão Parte I e O poderoso chefão: Parte II já podem ser novamente apreciados pelo público como foram originalmente idealizados, graças a uma meticulosa restauração da Paramount Pictures, supervisionada pelo próprio Francis Ford Coppola. Em 21 de julho de 2008, os dois filmes totalmente restaurados estrearam em DVD, junto com uma nova remasterização de O poderoso chefão: Parte III, na coleção O poderoso chefão: the Coppola restoration. As informações são da Livraria Saraiva, onde a trilogia está à venda. Para adquiri-la, é só clicar AQUI

segunda-feira, setembro 29, 2008

O LADRÃO DE ARTE, de Noah Charney

Noah Charney, uma das maiores autoridades do mundo em crimes contra a arte, constrói em O LADRÃO DE ARTE uma trama na qual três roubos são investigados simultaneamente em três cidades. Mas esses fatos isolados têm mais em comum do que se pode imaginar.

Em Roma, a polícia destaca o investigador de arte Gabriel Coffin para localizar uma obra de Caravaggio roubada de uma igreja. Em Paris, a curadora Geneviève Delacloche é surpreendida com o desaparecimento de uma famosa obra do russo Kasimir Malevitch e tem a colaboração do inspetor de polícia Jean-Jacques Bizot, que segue uma trilha de pistas bizarras que leva a uma desnorteante conspiração. Em Londres, Harry Wickedenden, da Scotland Yard, supervisiona as estratégias da equipe da National Gallery of Modern Art para reaver o resgate pago por uma pintura roubada. A recuperação do quadro o leva a se aprofundar em um mistério ainda maior.

Uma seqüência desconcertante de falsificações, pinturas dissimuladas com engenhosidade e traições desdobra-se à medida que a história avança em salas de leilões, museus, galerias européias exlusivas - e lugares secretos onde pinturas de valor incalculável tornam-se disponíveis a colecionadores que não se deterão diante de nada para satisfazer seus desejos.

Livro: O LADRÃO DE ARTE
Autor: NOAH CHARNEY
Editora: Intrínseca
1ª Edição (2008)
Páginas: 320
ISBN: 9788598078311


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre O LADRÃO DE ARTE:

Beta Langdon: Achei esse livro chato (muito chato!!!) e pedante (muito pedante!!!). A gente percebe de cara que é o primeiro livro de um autor pretensioso e cru. Noah Charney pode ser "a maior autoridade do mundo em crimes contra a arte", como afima o marketing dele, mas não é um bom escritor de romances e muito menos de thrillers.

H. Ester: Foi duro chegar ao final desse livro. Totalmente amadorístico e sem tempero. Os personagens são mal construídos e o leitor fica sem ter por quem torcer. Há algumas tentativas, todas fracassadas, de humor, que ainda pioram a situação. A trama, com excesso de núcleos, é confusa e em alguns momentos, fica a impressão de que o autor estava mais preocupado em falar dos bastidores do mundo da arte, de como os ladrões e falsários atuam e, principalmente, mostrar o seu imenso conhecimento sobre o assunto, do que em criar uma história envolvente.

Léo Bloom: A trama de O ladrão de arte começa muito bem, em Roma, mas vai perdendo fôlego, até que, no meio, já não tem a menor graça. Fizeram muita espuma para pouco sabão na época do lançamento, mas o resultado foi decepcionante. Mas, pelo menos, o livro serve para esclarecer alguns detalhes sobre o mundo dos ladrões de arte. Embora uma obra de não-ficção funcionasse bem melhor nesse caso.

Bentinha Escobar: Um livro bem escrito, interessante, revelador, mas que não é nem um centésimo do que a imprensa andou dizendo por aí. Me senti enganada pela mídia. A dupla de detetives franceses é ridícula, nenhum personagem tem um pingo de carisma e o Gabriel Coffin, que o autor pretendia que fosse uma das estrelas da história, é completamente patético. Mas as duas coisas mais irritantes nesse livro são os diálogos em língua estrangeira (quem não fala francês ou italiano se ferra) e os monólogos intermináveis de alguns personagens quando conversam ao telefone, sem que se ouça (leia) a voz do interlocutor. A intenção de Noah Charney talvez tenha sido a de inovar, mas tudo o que ele conseguiu foi piorar um livro já suficientemente decepcionante. Foi pena, porque o tema prometia e nas mãos de um Ken Follett da vida daria uma grande história.

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Nota de Flavia Andrade: O ladrão de arte foi lançado também em Portugal, pela Civilização Editora, que, num bem bolado lance de marketing, criou um hotsite muito bonito para o livro. Como a Editora Intrínseca não fez o mesmo por aqui e o site é em português, os leitores brasileiros também podem usufruir dele e usá-lo para ter uma idéia do livro antes de comprá-lo. É só clicar AQUI