segunda-feira, maio 18, 2009

MUSEU, de Véronique Roy

Ciência, filosofia, religião. O tripé que rege uma série de questões e dúvidas da Humanidade, sendo muitas vezes motivo de polêmica, ganhou vida na literatura cinematográfica da roteirista e arquivista francesa Véronique Roy.

No Museu Nacional de História Natural de Paris, eminentes cientistas encontram-se sob forte agitação: um meteorito anterior à criação do nosso sistema solar pode ser a prova da origem extraterrestre da vida na Terra. Ressurgem antigas controvérsias. Seria o homem o produto acidental da evolução ou o fruto de um “desígnio superior”, isto é, a criação de Deus?

Para passar as coisas a limpo, o diretor do Museu recorre a dois especialistas: o paleontólogo e geólogo norte-americano Peter Osmond, ateu convicto e ferrenho opositor da tese criacionista, e o italiano Marcello Magnani, astrofísico enviado pelo Vaticano. A intrépida conservadora do Museu, Léopoldine Devaire, preocupada com o repentino desaparecimento de um baú no interior da instituição, ajudará os dois em seus trabalhos.

Entretanto, logo após sua chegada, Peter Osmond faz uma descoberta macabra: a bióloga Anita Elberg é encontrada num aposento escuro pavorosamente dissecada. A polícia francesa abre as investigações, mas não avança no caso. E, pior: durante sete dias, outros assassinatos não param de se suceder. Osmond, Magnani e Léopoldine decidem se unir para descobrir a verdade e pôr um fim nos atos bárbaros que têm abalado a instituição.

Livro: MUSEU
Autor: VÉRONIQUE ROY
Editora: Bertrand Brasil
1ª Edição (2008)
Páginas: 378
ISBN: 9788528613568


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre MUSEU:

Martina Memory: Confesso que não entendi o porquê deste livro ter sido tão incensado e elogiado, inclusive (como, aliás, virou moda) com comparações absurdas com Dan Brown. A ponto do Le Parisien ter tido o topete de afirmar que Museu contém MAIS brilhantismo do que O Código da Vinci. Para começar o livro não tem um centésimo do ritmo dos thrillers de Dan Brown. Além disso, a história é muito confusa, entupida de debates chatíssimos sobre Ciência, Religião, Darwin, etc, com personagens insípidos e um final ridículo, que encerra uma trama agonizante, presunçosa e sem nexo. Por que Véronique Roy, nesse livro de estréia, não escreveu uma obra de não-ficção falando do Museu Nacional de História Natural de Paris e dos embates entre criacionistas e darwinistas? Para que se meter a escrever um thriller?

W@L: O tema de Museu é muito interessante e atual. Sem contar que é sempre bom ler thrillers escritos por escritores de fora dos Estados Unidos e Inglaterra. Mas ele podia ter sido mais bem desenvolvido. Para começar, há personagens demais e suspense de menos. Os crimes cometidos ao longo da trama não chegam a chocar como o esperado; quando muito, dão uma sensação de que a autora apelou, tentando criar uma atmosfera de terror macabro, sem conseguir. Dos personagens, gostei da dupla Peter Osmond - padre Marcello Magnani e achei engraçado o interrogatório do mal-humorado professor Servan. As descrições do Museu de História Natural de Paris e as várias explicações sobre fatos históricos e científicos são interessantes, dá para sentir que a escritora realmente sabe do que está falando, mas isso não basta para criar um thriller de verdade. Os personagens precisam de mais alma, o suspense precisa ser mais elaborado e o final, menos previsível (descobri quem era o assassino na metade do livro).

Beta Langdon: A leitura de Museu não engana: a gente logo vê que é a obra de estréia de uma autora sem intimidade com thrillers. O livro é arrastado, em nenhum momento pinta um clima de suspense (há algumas tentativas, todas fracassadas) e a gente até perde o interesse de descobrir a identidade do assassino, o que é uma coisa imperdoável num romance de mistério. A "conspiração" que Véronique Roy monta envolvendo cientistas e criacionistas fanáticos não é forte o suficiente para sustentar o livro. Diversos fios da trama ficam soltos, como o caso do meteorito e os personagens em excesso atrapalham demais o núcleo de protagonistas, formado por Peter Osmond, padre Magnani e Léopoldine Devaire. Osmond tem momentos engraçados, é um personagem simpático que podia ter sido melhor trabalhado. Léopoldine é uma heroína sem tempero e sem carisma. Não chega a existir um duelo de fato entre Religião e Ciência, como a sinopse do livro sugere e o anunciado "horror que não conhece limites" não é nada mais que uma sequencia de crimes apelativos contra personagens apagados ou antipáticos com quem o leitor pouco se importa. De positivo, pode-se dizer que o livro é muito bem escrito (ou traduzido), os cenários são bem apresentados e a trama é inteligente e instrutiva. Mas faltou emoção e um conflito realmente forte que mobilizasse o leitor.

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segunda-feira, maio 11, 2009

O SÓCIO, de John Grisham

Em O SÓCIO, John Grisham mostra ao leitor, em poucos passos, como funcionam as engrenagens no mundo dos ladrões de colarinho-branco. Como roubar e ser bem-sucedido tendo como ferramentas apenas um pouco de coragem e muita astúcia.

Danilo Silva foi vigiado dia e noite durante meses antes de ser seqüestrado. Morava sozinho, levava uma vida pacata, de hábitos simples, em uma modesta casa na cidade de Ponta Porã, no Brasil. Cidadão acima de qualquer suspeita, ainda assim o seqüestraram e o arrastaram para um cativeiro no Paraguai, torturando-o quase até a morte.

Mas Danilo tinha um passado de várias identidades. Danilo Silva na verdade era Patrick Lanigan, um brilhante advogado americano que dera um golpe de mestre em sua ex-firma de advocacia, desviando 90 milhões de dólares de um cliente para o seu próprio bolso. Como o conseguira?

Perseguido pelo FBI e pelo cliente, rivais numa caçada que alia agentes americanos e brasileiros, Patrick acaba sendo encontrado, e é aí que têm início os seus problemas ou seriam os dos seus captores? É o que John Grisham nos dirá, mais uma vez no seu estilo direto e sem floreios.

Livro: O SÓCIO
Autor: JOHN GRISHAM
Editora: Rocco
1ª Edição (1997)
Páginas: 416
ISBN: 9788532507693


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre O SÓCIO:

Gisele Letras: Grande momento do mestre dos thrillers de tribunal, John Grisham. Para nós, brasileiros, o livro tem um tempero a mais, pois parte da trama se passa aqui e Grisham descreve o Brasil com conhecimento de causa e bastante familiaridade, já que ele costuma (ou costumava) visitar o país com freqüência. Só impliquei um pouco com o nome da protagonista brasileira: Eva Miranda. Não que ele seja absurdo ou artificial, mas é que me pareceu um contraste com toda a descrição fiel que ele fez do Brasil. A impressão é a de que o escritor teve preguiça de pesquisar um nome feminino mais elaborado. Para mim, ele se inspirou em Carmen Miranda, conhecidíssima nos Estados Unidos, para criar o sobrenome e escolheu o primeiro nome, Eva, por ser bíblico, e poder, a priori, ser usado em qualquer país ocidental.

Léo Bloom: Autor de thrillers melhores, John Grisham não decepciona em O sócio, mas também não empolga muito. É um livro que se lê numa boa, inclusive quando ele descreve com detalhes o interiorzão do Brasil, como a cidade de Ponta Porã. É claro que ele esteve por lá. O começo, apesar de violento, com a tortura a Patrick Lanigan, prende a atenção, não chega a ser repugnante e o final é surpreendente. Mas ainda prefiro A firma e A confraria.

H. Ester: O sócio é o tipo de livro em que a gente esquece um pouco a ética nossa de cada dia e chega a achar bacana e interessante um plano de fuga absolutamente abominável, em que o protagonista Patrick Lanigan dá um golpe, simula a própria morte, larga a família e se refugia numa cidade pequena, distante e escondida no mapa. Mas com o avançar das páginas, as motivações de Lanigan vão ficando mais claras e a trama, no começo aparentemente simples, se torna complexa e eletrizante, além de emocionante. Muitos autores de thrillers, principalmente desses thrillers que se aproveitaram do filão de O Código da Vinci, e têm andado em moda, deveriam ler mais os livros de John Grisham, um escritor que domina a técnica de construir uma boa trama de suspense. É um autor que aprecio muito desde que li A firma.

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segunda-feira, maio 04, 2009

O ÚLTIMO TEMPLÁRIO, de Raymond Khoury

Em seu romance de estréia, Raymond Khoury, consagrado roteirista de cinema e televisão, narra de forma ágil e inquietante uma busca a segredos que poderão abalar os pilares do cristianismo.

Durante o ataque muçulmano, em 1291, à antiga cidade de Acre, no Reino Latino de Jerusalém, a galé Templo do Falcão zarpa, levando um pequeno grupo de cavaleiros, entre eles o jovem templário Martin de Carmaux, seu mestre, Aimard de Villiers, e um misterioso baú a eles confiado pelo grão-mestre da Ordem dos Templários momentos antes de sua morte. O barco desaparece sem deixar rastro.

Sete séculos depois, na cidade de Nova York, quatro homens vestidos de templários e montados a cavalo irrompem na festa de abertura de uma exposição de relíquias do Vaticano no museu Metropolitan, espalhando pânico e roubando os objetos expostos. A arqueóloga Tess Chaykin, uma das convidadas da festa, testemunha quando um dos cavaleiros, que parece liderar o grupo, se atem, como num ritual solene, a um único objeto: um misterioso decodificador medieval.

Após o incidente, o FBI instaura uma investigação sobre o caso liderada pelo especialista em anti-terrorismo Sean Reilly. Juntos, Reilly e Tess se envolvem em uma corrida mortal por três continentes em busca do local de descanso do Templo do Falcão e da perturbadora verdade sobre a sua carga.

Livro: O ÚLTIMO TEMPLÁRIO
Autor: RAYMOND KHOURY
Editora: Ediouro
1ª Edição (2006)
Páginas: 476
ISBN: 9788500018459


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre O ÚLTIMO TEMPLÁRIO:

Bentinha Escobar: O Último Templário é um entre vários livros que pegaram carona no sucesso de O Código da Vinci. Como todos os outros, não conseguiu nem chegar perto do best-seller de Dan Brown. O livro é mal escrito, tem um encaminhamento decepcionante e fracassa ao tentar aprofundar algumas idéias de forma inoportuna, coisa que não cai muito bem num thriller. Acho que o fato de o autor ser roteirista de cinema atrapalhou bastante o desenvolvimento da trama. Pois o livro lembra mais um roteiro do que um texto literário. Não emociona, nem cria suspense. Não recomendo.

London Hilton: Um thriller cinematográfico, eletrizante e cheio de adrenalina a cada página. Não consegui desgrudar de O Último Templário até o final. Ao misturar história com os tempos atuais, o autor criou um livro fascinante e de ritmo acelerado. Os protagonistas, Tess Chaykin e Sean Reilly são bem construídos, carismáticos e cativantes. E as reflexões sobre fé e religião apresentadas pelo autor cabem bem a todos nós hoje em dia. De todos os thrillers religiosos que apareceram depois de O Código da Vinci, este O Último Templário, junto com Labirinto, de Kate Mosse, é um dos melhores.

Augusta Tietê: Esse livro de estréia do roteirista Raymond Khoury começa muito bem. O prólogo narra com emoção a tomada da cidade de Acre, em 1291, pelos muçulmanos e a expulsão dos cruzados e Cavaleiros Templários da Terra Santa. E nos primeiros capítulos se dá o grande momento do livro, com a invasão dos homens a cavalo à exposição no Museu Metropolitan de Nova York (como é que eles conseguiriam isso na vida real, hein?). Depois, o livro vai perdendo força gradualmente até naufragar num final ridículo, que não justifica toda a trama construída atrás. Nas mãos de um autor mais hábil, o livro poderia ficar melhor, pois tem um argumento forte. Mas como é o primeiro trabalho de Raymond Khoury, acho que podemos dar um desconto pra ele.

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segunda-feira, abril 27, 2009

O RITUAL DA SOMBRA, de Eric Giacometti e Jacques Ravenne

Envolvido no misterioso universo da maçonaria francesa, O RITUAL DA SOMBRA conta a história de uma investigação sobre dois assassinatos, comandada pelo comissário Antoine Marcas, mestre maçom, e sua parceira, Jade Zewinski.

Em Roma, uma arquivista é morta segundo um ritual que lembra a morte do fundador da franco-maçonaria. Em Jerusalém, um arqueólogo, com uma pedra enigmática em mãos, é assassinado de modo semelhante.

Sessenta anos após a queda do III Reich, os arquivos dos franco-maçons, roubados pelo alemães, parecem ser o motivo do derramamento de sangue. E quem pode estar por trás desta trama é a sociedade Thulé, adversária ancestral da maçonaria.

Obra de ficção escrita por Eric Giacometti, jornalista - não maçom - e Jacques Ravenne - maçom no Rito Francês -, O RITUAL DA SOMBRA nos leva aos bastidores de uma sociedade considerada secreta e traz um espantoso esclarecimento sobre o III Reich.

Livro: O RITUAL DA SOMBRA
Autores: ERIC GIACOMETTI e JACQUES RAVENNE
Editora: Objetiva/Suma de Letras
1ª Edição (2008)
Páginas: 400
ISBN: 9788560280070


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre O RITUAL DA SOMBRA:

H. Ester: Sempre tive uma implicanciazinha com livros escritos em dupla. O ritual da sombra só serviu para aumentar ainda mais essa implicância. O livro começa superbem, primeiro com as cenas na Alemanha no fim da Segunda Guerra e, depois, com os crimes em Israel e na embaixada francesa em Roma. Mas alguma coisa não funciona direito a partir do meio e a trama vai ficando aguada, sem sal e apelativa. Chego a pensar que Eric Giacometti escreveu um pedaço do livro e Jacques Ravenne o outro. Mas fico sem saber qual deles escreveu o começo bom e qual deles resolveu estragar tudo da metade pro final.

Agente 1986: Os milhares de problemas de O ritual da sombra começam com os próprios protagonistas. Antoine Marcas e Jade Zewinski são bisonhos, para dizer o mínimo. Mas pior que eles são os vilões, os membros da ordem Thulé. Porque, às vezes, os mocinhos são chatos, mas os vilões são interessantes e salvam o livro. E em O ritual da sombra nem isso acontece. As soluções dos conflitos que surgem no enredo são amadoras e bobinhas. Os autores parecem não saber como agir em determinadas situações que eles mesmos construíram e decidem resolvê-las da forma mais simplória, para continuar a narrativa. É o caso, por exemplo, da cena entre a "Afegã" (apelido ridículo) e Marie-Anne no quarto do castelo de Chevreuse. A cena foi tão improvável e inverossímil, que deu vontade de largar o livro ali mesmo.

Beta Langdon: O ritual da sombra é um livro que pode ser dividido em dois. Tem uma ótima primeira parte que vai, mais ou menos, até a perseguição a Béchir, em Paris, o que equivale a um pouco mais da metade do livro. E tem uma horrorosa segunda parte que vai daí até o final. Os personagens também podem ser divididos em duas categorias: os sem-graça - incluindo os protagonistas, Antoine Marcas e a "Afegã" Jade Zewinski - e os asquerosos - incluindo Béchir, Marie-Anne e, principalmente, o "jardineiro". O livro chega a ter algum suspense, mas o que se destaca mesmo são algumas cenas macabras, gratuitamente apelativas, que não ajudam em nada a trama e parece que foram colocadas ali para satisfazer as taras de algum leitor sádico. Mesmo assim o livro tem bons momentos como o de Béchir na loja de cogumelos alucinógenos, em Amsterdã, a da festa na embaixada da França, em Roma e a da perseguição a Béchir na noite de Paris.

Eça de Assis: Fiquei meio decepcionado com esse O ritual da sombra. Um thriller que prometia muito, mas que foi perdendo gás, até um final agonizante. Esperava mais de um livro lançado pela coleção Suma policial, com todo o capricho de um projeto gráfico vistoso e um tema interessante. Valeu mais pelas explicações sobre a Maçonaria e as descrições das cerimônias nas lojas maçônicas, do que pela trama, que tem pouco suspense e poucos atrativos. É incrível que um livro como esse tenha sido publicado no seu país de origem e traduzido para outros idiomas, porque é fraco demais para o que se propõe.

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segunda-feira, abril 20, 2009

O PECADOR, de Tess Gerritsen

Arrepiante e envolvente, O PECADOR apresenta Tess Gerritsen no auge da forma, revelando sua experiência no mundo da investigação criminal.

Nem mesmo as gélidas temperaturas do inverno de Boston poderiam acreditar naquele cenário arrepiante. Sob o teto de uma capela do convento de Nossa Senhora da Luz Divina, os corpos de duas freiras jazem no chão imaculado.

Misteriosamente não há explicações para aquela cena brutal. Eternamente enclausuradas, as freiras do convento não têm contatos externos. Sem muitas pistas, a detetive Jane Rizzoli inicia a investigação, auxiliada pelos exames médicos da dra. Maura Isles. Mas a autópsia revela uma surpresa chocante: a noviça Camille dera à luz antes de ser assassinada. O caso sofre uma incrível reviravolta quando outra mulher é encontrada morta em um prédio abandonado.

A detetive e a médica começam a desvendar a terrível ligação entre as mortes. À medida que segredos há muito esquecidos vêm à tona, a dra. Maura Isles se vê envolvida em uma investigação que se fecha cada vez mais ao seu redor, levando a uma revelação perturbadora sobre a identidade do assassino.

Livro: O PECADOR
Autor: TESS GERRITSEN
Editora: Record
1ª Edição (2006)
Páginas: 366
ISBN: 9788501066947


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre O PECADOR:

Mrs. "M": Sinceramente? Pra mim, Tess Gerritsen se perdeu enquanto escrevia esse livro. Teve uma idéia boa para o começo (o assassinato de duas freiras, sendo uma delas jovem e que estivera grávida, num convento, e uma ligação desse crime com uma tragédia que aconteceu no interior da Índia) e não conseguiu desenvolvê-lo. Um argumento mirabolante demais para um livro só. Sem contar as cansativas descrições das autópsias da Dra. Isles, o monte de termos técnicos absolutamente desnecessários e as duas protagonistas sem carisma nenhum.

Léo Bloom: Tess Gerritsen vem sendo apresentada como uma seguidora de Robin Cook nos thrillers médicos. Seus livros são bons, mas ela perde para Cook no quesito agilidade. Mesmo explorando a terminologia médica com minúcia, Cook sabe encaixar tudo com naturalidade na trama, sem cansar o leitor. Gerritsen, em alguns momentos, parece mais preocupada em explicar nos mínimos detalhes como acontece uma autópsia e o que é necessário para fazê-la do que na trama. Os dramas das duas protagonistas não soaram muito convincentes. Em nenhum momento senti um envolvimento real entre Maura e Victor e entre Jane e Gabriel, embora esse envolvimento estivesse claramente explicitado na narrativa. Vocês entendem? Faltou emoção. Tess Gerritsen é exatamente isso: muita terminologia técnica, pouca emoção e, no caso particular de O pecador, nenhum suspense.

Martina Memory: O pecador é um livro de arrepiar. Fiquei grudada nele, sem conseguir largar. A trama é complexa e muito bem conduzida. A autora, Tess Gerritsen tem um estilo bem próprio de escrever e de despistar o leitor. E os equívocos que acontecem durante o livro, o fato da trama não ser totalmente redondinha, com tudo combinando, deixa tudo ainda mais próximo da realidade.

W@L: Gostei muito da dupla Maura Isles - Jane Rizzoli. Muito interessantes os conflitos pessoais das duas, sendo apresentados ao longo de uma trama de suspense onde elas são as protagonistas. A família de Rizzoli me lembrou um pouco a minha, com suas manias típicas de famílias acomodadas, meio entediadas e, ainda assim, felizes. Faltou, talvez, um pouco de suspense. Não há, em todo o livro, nenhum momento daqueles que deixam a gente vidrada, com os nervos à flor da pele. E, por fim, o assassino e suas motivações me decepcionaram. O final poderia ter sido melhor. Assim como a solução do mistério do filho da noviça Camille também poderia.

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segunda-feira, abril 13, 2009

BEIJE-ME ENQUANTO DURMO, de Linda Howard

Narrando a história proibida de Lily, uma matadora de aluguel, e Lucas, o agente da CIA que tem a missão de pegá-la viva ou morta, Linda Howard tece uma surpreendente história de suspense, romance e erotismo.

Era um emprego para matar. Eficiente, profissional e sem o mínimo de arrependimento, Lily Mansfield é uma assassina de aluguel contratada pela CIA. Seus alvos eram sempre os poderosos e corruptos, aqueles que nunca são atingidos pela lei. Agora, depois de dezenove anos de serviço, Lily se envolveu por razões pessoais num jogo perigoso, para o qual não recebeu permissão. Com atitudes cada vez mais ousadas, ela acabou comprometendo seus superiores, atraiu atenção indesejada e arriscou a própria vida. Apesar de o estresse e a tensão fazerem com que ela se sinta invencível e até mesmo um tanto convencida, Lily também sabe que pode ser eliminada num piscar de olhos. E, se for a sua hora, tudo bem. Ela pretende morrer lutando.

Lucas Swain, um agente da CIA, também reconhece os sinais perturbadores na linha de fogo. A ordem que recebe é para matá-la ou prendê-la. Mas ele também é atraído para o jogo com Lily Mansfield, equilibra-se na corda bamba ao tentar evitar uma catástrofe mundial e, ao mesmo tempo, luta contra um inimigo obstinado que vigia todos os passos deles dois. Mantendo o foco no seu objetivo e atenta para não ser pega, Mansfield não vê o perigo mortal que está indo em sua direção. E terá que descobrir que a lealdade tem seu preço.

Repleto de intriga, ação eletrizante e sensualidade, características que fizeram de Linda Howard a mestra do suspense romântico, BEIJE-ME ENQUANTO DURMO é uma história ousada de paixão, reviravoltas e personagens magnificamente elaborados que irão prender a atenção dos leitores.

Livro: BEIJE-ME ENQUANTO DURMO
Autor: LINDA HOWARD
Editora: Bertrand Brasil
1ª Edição (2006)
Páginas: 350
ISBN: 9788528612110


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre BEIJE-ME ENQUANTO DURMO:

Augusta Tietê: Li Beije-me enquanto durmo sem muito entusiasmo. A trama poderia ser melhor. Achei o personagem Lucas Swain um bobo alegre, estereótipo óbvio do homem-sedutor-que-adora-carros-e-aventuras. Não convenceu como par de Lily Mansfield e aquelas risadas dele me davam nos nervos. Se um namorado meu se comportasse assim, eu o colocava para correr na hora.

London Hilton: Gostei desse livro. O começo, narrando o jantar de Lily com o todo-poderoso Salvatore Nervi e a tática que ela emprega para matá-lo, foi muito bem feito. O veneno era forte mesmo. De resto, o livro não trouxe grandes novidades, mas a leitura valeu pelo ritmo e pela leveza, mesmo nas cenas mais trágicas. Linda Howard conseguiu dosar thriller e sensualidade na medida certa, embora pudesse ter adicionado um pouquinho mais de tempero.

Macabéio: O título já é o maior chamariz: Beije-me enquanto durmo. A narrativa prende a atenção e torcemos por Lily Mansfield e visitamos seus dramas internos com interesse. Lucas Swain é meio chatinho, mas o pior é o nome de um dos filhos do finado Salvatore Nervi: Damone. Parece nome de iogurte. Embora não dê para levar muito a sério um personagem que se chama Damone, ele acaba se revelando, mais para o final, uma figura interessante.

Gisele Letras: Beije-me enquanto durmo é um thriller competente e bem realizado, mas não empolga. É o típico "mais do mesmo". Lily e seus conflitos pessoais, a família de mafiosos italianos, Lucas, o agente descolado da CIA com fixação por carros... Linda Howard dá a impressão de que não conhece os homens a fundo, porque Lucas é a soma de todos os clichês masculinos mais rasteiros. Só faltou a cerveja, o futebol e coçar o saco. Não há muito suspense, o personagens, mesmo Lily, são bem previsíveis - com exceção de Damone Nervi e de Frank Vinay (o diretor de operações da CIA). Linda Howard escreveu um livro bom, mas há outros dela melhores.

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segunda-feira, abril 06, 2009

O TERCEIRO SEGREDO, de Steve Berry

Steve Berry escreveu um livro empolgante, em que o futuro e a história da Igreja Católica estão em jogo.

Fátima, Portugal, 1917: A Virgem Maria aparece para três crianças camponesas, confiando-lhes três segredos. Dois são imediatamente tornados públicos. O terceiro fica lacrado nos arquivos secretos do Vaticano e só é divulgado no ano 2000. O conteúdo enigmático do manuscrito deixa fiéis de todo o mundo questionando se a Igreja revelou todas as palavras de Nossa Senhora ou se trechos da mensagem teriam sido deixados nas sombras do Vaticano.

Cidade do Vaticano, dias de hoje: padre Colin Michener, novo secretário papal, está apreensivo. Nas últimas noites, o papa Clemente XV tem-se isolado na Riserva do Vaticano, que, separada do mundo por sólidas barras de ferro, guarda, arquivados em seu interior, documentos confidenciais, como a confissão de Galileu Galilei, o Tratado de Tolentino e o terceiro segredo de Fátima.

Quando Clemente XV ordena que o padre Michener siga para a Romênia e para um local sagrado na Bósnia, em busca de um velho pároco - possivelmente a última pessoa no mundo que conhece a mensagem de Maria -, uma série de acontecimentos ameaça desestabilizar a Igreja Católica.

Livro: O TERCEIRO SEGREDO
Autor: STEVE BERRY
Editora: Record
1ª Edição (2005)
Páginas: 462
ISBN: 9788501074027


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre O TERCEIRO SEGREDO:

Beta Langdon: O livro não é exatamente ruim. É escrito de forma clara, não confunde o leitor, e tem bom ritmo, mas achei a história morna. Faltou emoção. Em nenhum momento, o protagonista, Colin Michener, fica realmente ameaçado, os vilões são meio sem sal e o romance entre Michener e Katerina não convence nem emociona. É forçado, parece que foi posto ali só porque o livro pedia uma personagem para desempenhar determinadas funções e porque Michener precisava de um par romântico para fazer certos questionamentos. O final é ridículo. Não termina o livro. Berry ainda tem que comer muito ovo com bacon para chegar a um Dan Brown, com quem é comparado (aliás, o que tem de autor mediano sendo comparado com Dan Brown por aí, não está no gibi. Será que o Brown não se incomoda não?).

Eça de Assis: O terceiro segredo é excelente leitura, um excelente thriller. Já no prólogo o leitor se depara com uma reconstituição romanceada e emocionante da aparição de Nossa Senhora em Fátima. Ao longo do livro, uma das coisas que saltam aos olhos é a pesquisa que Steve Berry fez sobre a Igreja Católica, o Vaticano, as aparições da Virgem, as previsões como as de São Malaquias, etc. e a trama acaba visivelmente sendo costurada em cima desses detalhes, o que torna o livro incrivelmente real. Colin Michener é um protagonista carismático, o cardeal Valendrea, um vilão na medida certa e o destaque fica para o papa Clemente XV, e suas semelhanças com Bento XVI, começando pelo fato dos dois serem alemães (detalhe: o livro foi escrito quando João Paulo II ainda era o papa).

H. Ester: Comecei a ler O terceiro segredo numa sexta-feira à noite e terminei no domingo à tarde. Menos de dois dias de leitura, em que não consegui largar o livro, que tem mais de 450 páginas. Mais do que a trama em si, o que fascina neste thriller são as revelações que Steve Berry faz sobre as previsões marianas e os bastidores do Vaticano. A trama é surpreendentemente bem ambientada e a pesquisa que Berry fez deve ter sido exaustiva. O resultado é um livro agradável de se ler, crível e que, através de um enredo ficcional, revela aos leitores muitos mistérios da Igreja, inclusive reproduzindo textualmente os três segredos de Fátima. Steve Berry tem mão e tino de ficcionista e seu livro desbanca muitos trabalhos de muitos autores veteranos de thrillers.

Bentinha Escobar: O terceiro segredo não é o melhor nem o pior thriller que já li, mas a leitura valeu as horas gastas. Apesar dos problemas da narrativa, principalmente na relação inconvincente entre Colin Michener e Katerina e no final sem graça, o livro tem momentos muito bons, como o do confronto entre o papa Clemente XV e o cardeal Alberto Valendrea na Riserva do Vaticano e o conclave quando o novo papa é eleito. Os personagens de Michener, Clemente e do cardeal africano Ngovi são os melhores, enquanto Katerina e os padres Ambrosi e Kealy são fracos e robotizados e poderiam ter sido melhor construídos. Valendrea é um antagonista competente, embora sua figura seja nojenta demais (Berry exagerou). Aprendi muita coisa sobre os segredos de Fátima e sobre o funcionamento do Vaticano. Neste ponto o livro faz lembrar Anjos e demônios, de Dan Brown, embora não possua nem um décimo da emoção e do ritmo deste.

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segunda-feira, março 30, 2009

1º A MORRER, de James Patterson

Em uma narrativa de tirar o fôlego, James Patterson nos apresenta as integrantes do Clube das Mulheres Contra o Crime, às voltas com um serial killer que assassina homens e mulheres que acabaram de se casar.

No Estado da Califórnia, um assassino é movido por bizarra compulsão: esfaquear homens e mulheres que acabaram de casar. Esse serial killer sente prazer em ceifar as vidas de pessoas apaixonadas, sendo capaz de matar com requintes de crueldade e alto grau de frieza.

Inconformadas com a atuação da polícia, que não consegue solucionar o caso, quatro mulheres incríveis vão se unir em torno de um objetivo comum: encontrar, prender e superar o diabólico assassino.

Lindsay é a inspetora de homicídios da delegacia de polícia da cidade. Claire é médica-legista. Jill, assistente da promotoria. Cindy, por sua vez, é a mais nova repórter da seção policial do San Francisco Chronicle. Elas sabem que, se unirem suas forças, coragem e inteligência, têm alguma chance de pôr fim à onda de mortes que assola a cidade, mas não imaginam que a verdade, nesse caso, vai abalar todas as suas convicções.

Livro: 1º A MORRER
Autor: JAMES PATTERSON
Editora: Rocco
1ª Edição (2008)
Páginas: 376
ISBN: 9788532523310


Comentários de alguns dos Ts&Ts sobre 1º A MORRER:

W@L: Esse thriller é sensacional. Parte de um argumento aparentemente banal e já bastante explorado (assassinatos em série, uma investigadora com problemas pessoais, etc, etc. e tal) para presentear os leitores do gênero com uma trama inovadora e com boa pegada. Embora não chegue a ser uma história surpreendente, ela não tem aquele gosto de déja-vu. A partir da terceira parte o livro ganha em velocidade e surpreende a capa página. Nada é previsível e quando o leitor acha que solucionou o mistério, vem uma reviravolta e ele retorna à estaca zero. James Patterson é incansável na sua capacidade de escrever boas histórias.

Agente 1986: O que dizer deste livro? A idéia do clube das mulheres contra o crime, nas mãos de um autor desastrado (tipo um David Gibbins da vida, ou um Peter Harris, ou um Noah Charney) naufragaria muito fácil. Mas James Patterson é craque e craques podem jogar medianamente uma vez ou outra, mas jamais serão pernas de pau. Patterson deu vida a um assassino metódico de recém-casados e a uma inspetora de homicídios, Lindsay Boxer, atormentada por um problema raro e grave de saúde, acrescentou alguns temperos, uns cenários glamourosos, deu uma mexida boa e o resultado foi um livro muito agradável de ler, apesar de alguns lances meio inverossímeis que não chegam a comprometer o conjunto. Não é uma história policial mulherzinha, muito menos uma trama do tipo As panteras, então os leitores homens podem perder a desconfiança e ler 1º a morrer numa boa.

Mrs. "M": Os dois primeiros capítulos de 1º a morrer são impactantes e chocam o leitor logo de cara, para não deixar dúvidas sobre o que vem a seguir. E o que vem a seguir é uma trama muito boa, que prendeu minha atenção. Fazia muito tempo que eu não lia um livro de James Patterson e 1º a morrer foi um ótimo retorno às obras desse grande escritor, que eu adoro. Além do assassino e sua mente perturbada e perturbadora, as personagens Lindsay e Claire são as melhores. Lindsay e seu drama com a tal da anemia de Negli, é uma personagem complexa e carismática, nem boazinha e nem durona demais. Uma figura bem próxima da realidade da mulher urbana contemporânea. A tragédia que ela viveu no final foi de fazer chorar. Cindy e Jill me entediaram um pouco, principalmente Cindy e seu jeito crazy de jornalista "sou jovem-atrevida-posso tudo", mas elas foram bem construídas por Patterson. Já estou curiosa para ler os novos livros da série. Editora Rocco, não demore, please.

Martina Memory: 1º a morrer é um livro que engana uma porção de vezes à medida que é lido. E enganou até a mim, que sou leitora veterana de thrillers. A parte final, quando os crimes são finalmente desvendados é emocionante em todos os sentidos, digna de um mestre. James Patterson soube despistar o leitor muito bem, como poucas vezes vi. Só o epílogo é que achei um pouco forçado. Não precisava aquilo, foi apelativo demais e quase estragou tudo. O bom seria se o livro tivesse acabado na página 368. Também a história do disfarce não convenceu muito. E não é só a aparência. Fico perguntando como "Phillip Campbell" disfarçou a própria voz.

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